A imagem perdida do ministro Álvaro

Escreveu o Correio da Manhã:

 Ministro da Economia fica sem assessora A assessora de imprensa do ministro da Economia, Maria de Lurdes Valle, vai deixar de trabalhar no ministério de Álvaro Santos Pereira.

Se, como refere o jornal, a saída da assessora se destina a  “dar um sinal de confiança reforçada no ministro da Economia e mudar a forma como é passada a mensagem neste ministério”, afigura-se uma missão falhada.

O ministro Álvaro é em termos de imagem um caso perdido. Nele tudo irrita: o ar convencido e provocador, o sorriso despropositado que ostenta quando fala, o tique de “mastigar” palavras com “ham, ham…” pelo meio. É possível que a explicação esteja no que a assessora disse este sábado ao Expresso: “Às vezes o ministro ainda pensa em inglês”.

A imagem do ministro construiu-se numa das primeiras ocasiões em que foi visto na televisão numa visita à  feira de artesanato, na FIL, quando proferiu a frase  que havia de ficar-lhe indelevelmente colada – “Prefiro que me chamem Álvaro do que me chamem ministro”. A partir daí Álvaro tornou-se um “cromo”.

Na mesma ocasião, o ministro Álvaro saíu-se com outra frase que deixou atónitos e divertidos aqueles que o ouviram. Parando num stand, afirmou: “Falta uma coisa que acho que é importante nisto tudo: falta uma bandeirinha portuguesa para mostrarmos que é um produto português e um produto de muita qualidade, senão pensam que não é português”. 

Com o tempo o Álvaro virou agressivo e trauliteiro. As suas idas ao Parlamento tornaram-se  um espectáculo, ficando célebre a apresentação do Plano Estratégico dos Transportes. A maneira como responde aos deputados que o questionam, com remissões teóricas para o passado recente sobre “o estado em que deixaram o País”, enfurece os partidos da oposição que o provocam citando excertos dos seus livros e do seu blog onde defendeu o contrário do que agora pratica. Não há sessão parlamentar com o ministro Álvaro que não dê barraca.

Álvaro ganhou ultimamente gosto por tiradas políticas e não se importa de dizer coisas como esta: “se as empresas de transportes entrarem em falência, ponto final parágrafo”, deixando implícito que pode não haver transportes públicos para ningém.

As televisões adoram que Álvaro vá ao Parlamento porque sabem que é espectáculo garantido. O Expresso apresenta-o na sua última edição como “expansivo, afectuoso, genuíno e desajeitado” mas um deputado do PSD, citado por este semanário, afirma (a meu ver certeiramente)  que “ele não tem falta de experiência política. Tem falta de experiência de vida”.

De facto, Álvaro tem apenas 39 aninhos vividos no Canadá onde dava aulas e lia relatórios enquanto viajava de metro. Ficou deslumbrado com o convite para ministro de um conjunto de ministérios reunidos num só. Dizem alguns que foram os seus livros que atraíram a atenção de Passos Coelho e o levaram a convidá-lo para o governo. Agora parece que quer mudar-lhe a imagem para isso mudando a assessora. Tarefa ciclópica, diga-se. Porque pelas bandas do seu superministério parece que cada vez que alguém fala sai asneira. Repare-se nesta frase publicada há momentos:

Durante os próximos três meses, o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, irá também ouvir um conjunto de empresários de Pequenas e Médias Empresas de vários sectores com o objectivo de “manter um debate de ideias que seja um brainstorming sem limites”, acrescentou a mesma fonte.”

Sem limites parece também a impossibilidade de mudar Álvaro.

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2 respostas a A imagem perdida do ministro Álvaro

  1. Captomente diz:

    Que texto tão mesquinho, jesus.

    “afigura-se uma missão falhada.”

    “O ministro Álvaro é, em termos de imagem, um caso perdido” (as vírgulas são minhas)

    “Nele tudo irrita”

    “o ar convencido e provocador”

    “o tique de “mastigar” palavras com “ham, ham…” pelo meio” (esta é uma pérola, lol)

    “A partir daí Álvaro tornou-se um “cromo”.”

    “o Álvaro virou agressivo e trauliteiro.”

    “o ministro Álvaro que não dê barraca.”

    Você tem aí algum problema e não acho que seja só azia.

  2. Scorpius diz:

    A culpa de todos estes espetáculos tão frequentes, roçando por vezes o ridículo, não poderão de todo ser imputáveis ao ministro, mas sim a quem,extasiado com as suas teorias ultra liberais,o nomeou para as funções que deveria exercer.Poder-se-à afirmar que se juntou a fome com a vontade de comer.

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