Cheira a fim de festa

Há um ambiente de fim de festa à nossa volta. 

Nas ruas as iluminações de Natal são frouxas e pelintras, tudo nos indica que estamos na penúria e tudo contribui para nos deprimir. Nas lojas entra-se para ver, os empregados andam chateados mas empenham-se no atendimento na esperança de que a metade do nosso subsídio dê para comprar alguma coisinha.

Nas televisões e nos jornais espera-se há  semanas pelo fim do euro. A toda a hora vemos Merkel e Sarkosy, Sarcosy e Merkel a entrarem e a saírem de qualquer lado para qualquer lado,  já nem reparamos de onde e para onde, apenas os fatos dela e as gravatas dele nos dizem se mudaram de sítio.

Os ministros, e entre eles o Primeiro, falam, falam e quanto mais falam mais se afundam e nos afundam. Revelam agora “folgas” onde antes descobriram “buracos”, mas para nós, simples cidadãos, tanto faz  que sejam “folgas” ou “buracos” porque é sempre para nos tirar algo que falam.

O ministro da saúde anuncia na televisão os  novos preços das taxas moderadoras e das consultas nos centros de saúde em vez de o fazer no Parlamento, porque a Fátima Campos Ferreira  sempre o  chateia menos que o deputado João Semedo; o governador do Banco de Portugal irrita-se com o deputado João Galamba porque à falta de argumentos está chateado por não ser jovem e giro como ele; o ministro Miguel Macedo, chateado com um parecer da Comissão de Protecção de Dados que considera inconstitucional  uma proposta sua,  diz que o parecer é um “documento político”  e quer retirar o caracter vinculativo aos pareceres da Comissão.

A ministra da justiça entretém-se a chatear o bastonário dos advogados e vice-versa. O sindicato dos juízes escreve ao Presidente para pedir ao Tribunal Constitucional que verifique a constitucionalidade dos cortes  nos nossos subsídios, enquanto o Ministério Público anda a investigar as fugas de informação sobre a detenção de Duarte Lima e o sindicato anda a ver se “faz a cama” ao Procurador-geral.

O ministro das finanças, mais conhecido por “gasparzinho”, dá umas entrevistas à imprensa internacional, muito contente com o apoio maioritário do país (que só ele vê) à política de austeridade, e o seu colega Álvaro anda outra vez “escondido”, chateado porque cada vez que abre a boca caem-lhe logo em cima.

Do lado da Oposição, Seguro vai-se aguentando sem responder aos ataques que vêm de todos os lados (Marcelo tentou trucidá-lo no Domingo passado) e tem dado forte no governo. Relvas e  Passos  estão quase a perder a paciência  e a quebrar a antiga amizade. Admira-se a Seguro a boa educação, a calma e a persistência.

Há um clima de chatice à nossa volta.

Neste ambiente de fim de festa, o que vale para animar o povo é a Casa dos Segredosa Cátia, a Fanny, o pai da Fanny, a Susana e os esforços da Teresa Guilherme para ver se aquilo desce um pouco mais  –  e as entrevistas do “estripador de Lisboa” e  filho, ao Sol e ao Correio da Manhã. E enquanto não chegam mais “provas” descobertas pelo Sol, a Judiciária, os juízes e os magistrados de Aveiro estão a tentar descobrir se o “estripador de Lisboa” é ou não o verdadeiro.

Tenhamos esperança. Para o ano será pior…

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Uma resposta a Cheira a fim de festa

  1. Mendes diz:

    Sim, fim de festa, ao qual o anterior governo nos trouxe, trazendo-nos a falência.
    E sim, para o ano ainda será pior.

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