Em força para Angola

O primeiro ministro entrou numa espécie de impulso irresistível de antecipação de desgraças, numa espécie de ritual destinado a exorcizar espíritos malignos, como se pretendesse avisar os portugueses das desgraças que aí vêm e assim descarregar a consciência.

O primeiro ministro parece apavorado com a crise, a dívida, o déficit, a economia. Sabe que não tem soluções a curto nem a médio prazo, não sabe o que há-de fazer e já percebeu que o povo afinal não é assim tão pacífico como alguns pensavam e ameaça reagir à austeridade.

Só assim se explica a sucessão de entrevistas – hoje saíu a quarta, ao Correio da Manhã – no espaço de cerca de um mês, fora as intervenções que faz à entrada e à saída de eventos, sem que se perceba muito bem o que tem  de novo para dizer em cada uma delas, como assinalei aqui.

Em cada entrevista o primeiro ministro avança com cenários e previsões, cada um mais assustador que o precedente. Cada vez que fala, põe os portugueses que ainda não estavam deprimidos a correr para as farmácias à procura de anti-depressivos.

Hoje, ao Correio da Manhã, avisou que as reformas tal como as conhecemos são uma miragem e aconselhou os portugueses a fazerem poupanças (o que soaria a provocação não fosse o seu ar infeliz). Não contente com isso desanimou ainda mais os professores sem colocação indicando-lhes o caminho  – “em força para Angola” (o Brasil também é alternativa) – depois de já antes outros membros do seu governo terem feito o mesmo relativamente a outras profissões.

Sem perceber os efeitos do seu irreprimível impulso de não poder resistir perante um microfone anunciou com trombetas um Conselho de Ministros que duraria 11 horas para reflectir sobre não se sabe o quê, mandando dizer que o objectivo era qualquer coisa como  “mudar o ciclo” e tratar da economia.

Se assim era, não se compreende porque não deu, no final, uma conferência de imprensa, uma entrevista, uma declaração, o que quer que fosse, onde anunciasse enfim aos portugueses que há soluções para o país para além de cortar, cortar, cortar  e que podemos confiar nele.

Uma réstea de esperança é o que os portugueses precisam e esperam ouvir de um primeiro ministro e não de olharem para ele como alguém que a única coisa que lhes diz é para  irem para outras paragens.

Um primeiro ministro que não é capaz de dar ânimo aos seus concidadãos antes lhes apontando a porta de saída, errou a sua vocação.


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6 respostas a Em força para Angola

  1. Scorpius diz:

    O slogan da poupança apregoado pelos governantes, para àlém de um cinismo revoltante é igualmente provocador, muito especialmente para aquêles que,mesmo em tempo de férias, mandam os filhos à escola para poderem ter uma refeição diária.
    Estamos em passos acelerados rumo ao corno de África e|ou,,muito provàvelmente,a criar um corno na Europa.

  2. cannis ter diz:

    Devia ter-lhes chamado embaixadores da boa vontade (agora emigrantes é de baixo status)

  3. Por alguma razão nenhuma empresa de média categoria o convidou para fazer parte dos quadros. Quanto mais depressa sair do governo, mais depressa encontrará esse lugar de topo, numa empresa de topo, para a implodir, ou mandar fechar.

  4. J.-M. Nobre-Correia diz:

    Como é possível um primeiro ministro ter uma visão prospectiva tão curta do seu próprio país e do futuro dos seus concidadãos ?! Decididamente, o horizonte proposto a este país e a este povo é particularmente sombrio…

  5. cannis ter diz:

    Os mês helenos emigraram todes, só fikei cum us romenos moldavos bielo-russos e outros cabrões quinté no último dia de aulas aparecem….

    cabrões dus putes…s’ixto (VI) con tinua eu emigro (nã pode é ser pó brasil ó pra angola camodos tem mais pistolame caqui)……

    FENPROF para primeiro-ministro
    Carvalho da Silva para presidente
    Loução pode ficar com a pasta de dentes

    o governo que emigre prá merda

    emigrar…..nóis…?

    cambada de cabrões ondé queu ganho o mesmo sentado….se calhar qweriam queu fosse trabalhar ahn ólha us gaijos
    19 de Dezembro de 2011 02:04
    É Na tal é Na tali disse…

    o deixem-nos trabalhar é excessivo…

    as férias tão aí à porta..haja decência

    já basta haver putes até 2012….
    felizmente em 2012 os moldavos bão-se emborra
    quisto ter qwuase 21 alunes é cá um stressss

    adeviam ser turmas assim

    e de preferência com tantos putogoeses como esta

    pur falar nisso o 25 de ABRI foi quando?
    19 de Dezembro de 2011 02:08
    É Na tal é Na tali disse…

    bou-me indo camanhã tenho de malevantar às 11h30 e ir pá eskola aí há uma e coiso para discutir as valiações

    emmigrare nunca ….nem casejam só 2 alunos pur turma

    agente cá faz das tripas curação pa educari essa malta

    a ben da nacion 25 de ABRI sempre…

    aqueles con tratadus caforam prá noruega escalar bacalhau adeviam ter ficado nã era?

    mas adeviam ter-lhes dado era subsódio de desemprego pelus dois meses de aulas qweles deram em 2010….

    o pessoal do quadro adevia ter baixas obrigatórias

    mas essa canalha do governo
    tá a meter o pessoal com baixa de volta nas escolas

    assis os lugares nas salas de estudo e nas bibliotecas ficam chêas

    ondé cagente mete us alunos?

  6. Scorpius diz:

    Este P.M. é de facto um caso único nesta pobre democracia.À imaturidade politica que revela nas suas declarações acresce a tendência quase mórbida de transformar os nossos sonhos em autênticos pesadelos.Que apareça alguém de bom senso de entre os seus assessores que o aconselhe a manter-se calado pois,até ao presente,de cada cavadela dada só tem saído minhoca.Eu recuso-me a emigrar.

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