Natais de antigamente

Natal, tempo de recordar natais de outros tempos, em Elvas, minha terra natal. 

Verdadeiramente, o Natal começava com a preparação dos doces. Na cozinha os alguidares e os tachos alinham-se sobre a banca, as tábuas de amassar saem dos armários,  reúnem-se os ingredientes – o grão para o recheio das azevias, a aguardente para a massa, o mel para o nógado, os torresmos para a enxovalhada…. A confecção é uma festa. Os mais novos rapam os tachos, todos querem ajudar.

enxovalhada

No dia 24, os sapatinhos vão para a chaminé à espera das prendas.  A mesa fica pronta para a ceia antes da saída para a Missa do Galo.

A Missa do Galo é o momento mais solene. Faz frio no Alentejo, à meia-noite. Nas ruas,  homens de capote tocam as roncas e entoam cânticos de Natal que ecoavam  por toda a cidade. No adro da Igreja as famílias dão-se as Boas Festas.

Ronca de Elvas

De regresso a casa, as crianças correm para a chaminé, abrem os presentes… é uma alegria.

Na mesa, o bacalhau, as couves,  as azevias, o  nógado, as filhós, os sonhos, a enxovalhada regalam os olhos e os estômagos.

A noite é longa, na rua continuam os sons das roncas: “Olha para o céu verás uma luz…” cantam vozes longínquas. Abrem-se as janelas e dentro de casa acompanham-se os cantos à lareira, alguns já dormitam, amanhã ainda é Natal….

Eram assim, os meus natais  de antigamente….

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