A presidente que caíu em graça

Assunção Esteves, a primeira mulher a tornar-se Presidente da Assembleia da República tem tido, até agora, o que se chama “boa imprensa”, como se prova, uma vez mais,  por esta notícia.

O facto de ser mulher, de possuir um currículo notável – foi juíza do Tribunal Constitucional, deputada e eurodeputada – e sobretudo de a sua eleição ter sido antecedida da derrota de Fernando Nobre – a desastrada  primeira escolha de Passos Coelho para presidir ao Parlamento – contribuíram para a aceitação elogiosa extensível a todos os partidos parlamentares e também à generalidade dos média.

A reputação de jurista competente e metódica, a simpatia com que orienta e intervém nas sessões parlamentares,  algumas ideias inovadoras sobre um funcionamento “mais aberto” do parlamento (a maior parte das quais ainda sem concretização), contribuem para a “boa imagem” de que goza. 

Também a simplicidade que caracteriza a sua forma de vestir – quase sempre um clássico conjunto calça e casaco – em  contraste com o ar  “freak” conferido pela cor e corte do cabelo, a torna uma personagem interessante.

Nem sequer notícias menos “positivas”, por exemplo, de que foi às compras com um motorista e um segurança  no carro oficial da Assembleia,  ou que optou pela pensão por dez anos de trabalho como juíza do Tribunal Constitucional, em vez do vencimento como Presidente da AR, afectaram a simpatia de que desfruta nos média.

Ao ler hoje os seus comentários às férias dos deputados veio-me à memória o seu discurso na cerimónia de posse do novo Conselho Regulador da ERC, em Novembro passado, no qual, pode dizer-se, Assunção Esteves não acertou uma. Os média não deram nota desse discurso, a não ser esta curta referência,  e nem na  página oficial do site do Parlamento se encontram as intervenções da Presidente. Nesse discurso, Assunção Esteves chamou repetidamente “Comissão” e “Comissão de Comunicação” ao Conselho Regulador, órgão que preside à ERC, para além de ter proferido um conjunto de frases fora de qualquer contexto, quase sem nexo, dando a ideia de que a Presidente não fazia a mínima ideia das atribuições do órgão que estava a empossar, por sinal, o único regulador eleito pela Assembleia da República.

Não tivesse Assunção Esteves a simpatia dos média e teríamos visto esse seu desconexo discurso glosado por jornalistas e comentadores. É caso para dizer, mais vale cair em graça do que ser engraçado.

Esta entrada foi publicada em Assembleia da República, Comunicação e Política, Imprensa, Sociedade. ligação permanente.

3 respostas a A presidente que caíu em graça

  1. Mais uma mulher séria trabalhando para moralizar este país. Sempre haverá alguém que a critique, pois é mulher, mas elas estão demonstrando seriedade e competência, enquanto os homens que negam suas atitudes suspeitas estão aparecendo nas barbas da corrupção generalizada. Pra frente, mulheres! Somos fortes e dedicadas; Competentes e honestas. O futuro de um Brasil limpo está nas nossas mãos.

  2. jrrc diz:

    a comunicação social omite a verdade com fanatismo ideológico.
    quem não é por “eles” é contra, é a únca verdade que ensaiam.miseráveis

  3. Vítor diz:

    fossem outros políticos e já teriam sido trucidados

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