O imenso polvo

Jorge Silva Carvalho, ex-director da "secreta", foi ouvido no Parlamento em SetembroAs notícias sobre as secretas não deixam de surpreender. Tudo ali parece nubloso, para não dizer mal cheiroso. O ex-espião Silva Carvalho, que resolveu ir espiar para a Ongoing através dos espiõezinhos que foi deixando pelo caminho ou que levou consigo, não é afinal mais do que um dos braços de um imenso polvo que abrange os serviços de segurança, a Maçonaria, o Parlamento, o  Governo, os negócios e sabe-se lá que mais….

Depois de há meses o ex-espião Silva Carvalho ter sido ouvido à porta fechada na Comissão parlamentar e de a conversa com os deputados ter tido “transcrição” no Expresso, agora é o Público a escrever que “o PSD apagou do relatório preliminar sobre as audições relativas aos serviços secretos, realizadas na 1.ª comissão parlamentar, as referências que indiciavam ligações de titulares de cargos de chefia e de direcção da intelligence à Maçonaria.

Depois desta notícia, a relatora do relatório,Teresa Leal Coelho, do PSD, garante não ter apagado “rigorosamente nada” do relatório  (…). Sobre as discrepâncias entre o documento redigido pelo PSD e o relatório entregue à 1ª comissão parlamentar, (…) tal  deve[-se] ao facto deste “conter apenas o que é comum a todos os relatórios elaborados pelos partidos” que aceitaram tentar a criação de um relatório comum, decisão que não inclui o PS nem o partido Os Verdes. (…)

Desconstruindo as espantosas declarações da deputada Leal Coelho,  temos o seguinte: 

O PSD ficou “lixado” com a “sinceridade” da sua deputada que devia saber que não se verte para relatórios informação sobre membros da Maçonaria;

A deputada foi “convidada” a fazer o arremedo de desmentido (disse que não foram apagadas mas as menções à Maçonaria desapareceram da versão final);

– A deputada, por sua vez, ficou “lixada” com a fuga de informação que deu a conhecer a versão original do relatório e convidou os jornalistas a investigarem a fuga de informação;

– Os deputados do PSD concordam com a versão inicial do relatório mas “apagaram” as referências à maçonaria, supostamente para agradarem ao CDS e ao PCP (uma vez que o PS e os Verdes ficaram de fora do “acordo”);

– As partes apagadas não faziam falta no relatório porque os jornalistas sabem mais sobre a maçonaria do que os próprios membros, entre os quais o líder parlamentar do PSD;

Em suma: o ex-espião maçon foi ouvido na Comissão Parlamentar que teve como relatora uma deputada do PSD que (certamente) não sabia que o seu líder parlamentar e membro da mesma Comissão também é maçon, por sinal da mesma loja do ex-expião cuja audição ela relatou na sua santa ignorância.  As palavras seguintes, que constam da versão original do relatório, saíram-lhe fluentes e sem hesitação: 

“[os incidentes com o ex-espião] sugerem indícios e lançam suspeitas de ligações do ex-director do SIED [Jorge Silva Carvalho, que, até finais de 2010 dirigiu o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa] a “conluios de poder” pretensamente com a ambição de ocupar cargos dirigentes, incluindo nos Serviços de Informações”. 

Oops……o polvo chega, afinal, ao chefe da deputada relatora!……

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