Deu grande alarido nos jornais e televisões, com direito a menção no editorial do jornal Público, um artigo de Fernando Lima, assessor do Presidente da República, sobre Comunicação Política publicado numa revista brasileira, intitulada “Campaigns & Elections”, dirigida a profissionais de comunicação política cujo primeiro número editado no Brasil possui um subtítulo elucidativo: “Como jogam os craques da Comunicação Política”. Não se trata de um artigo científico, com estudos de caso ou discussões conceptuais, mas de sim de uma reflexão do autor sobre práticas de comunicação política, escrita numa linguagem pouco rigorosa, aliás no estilo do subtítulo.
O alarido que o texto provocou só encontra explicação no facto de o autor ser assessor do Presidente, para mais, ligado a um dos mais graves “casos” ocorridos no Portugal democrático, em Agosto de 2009, conhecido como “Escutas a Belém”, de tentativa (consumada) de influenciar e condicionar o exercício da actividade jornalística, no caso, o jornal Público, que se prolongaria por meses, com a colaboração activa de responsáveis editoriais do jornal (na altura), como ficou demonstrado num fax de um editor para um jornalista desse jornal divulgado pelo Diário de Notícias, no qual a “encomenda” do assessor é descrita ao pormenor.
A não ser por estes factos, as reacções ao artigo são estranhas pois parecem desconhecer que as fontes de informação sejam elas directas ou intermediadas por agências, assessores, etc. são uma parte da informação, com interesses próprios que não são os interesses da outra parte, isto é, dos jornalistas. Os primeiros, procuram que a informação lhes seja favorável. Os segundos, que ela seja verdadeira, credível e (se possível) “nova” e (ainda melhor) “exclusiva”, competindo-lhes assegurar-se de que ela obedece a estes requisitos. Se houver manipulação da parte da fonte é porque o jornalista se deixou manipular, ou porque não trabalhou a informação ou por outro motivo qualquer.
Não há nesta relação santos e pecadores. Não há jornalismo sem fontes e não há notícias sem jornalistas. Uns querem ser notícia outros precisam de notícias. As notícias são o resultado dessa “negociação”.
O melhor livro que li sobre essa relação é este. Analisa as relações entre os jornalistas e três instituições no Canadá: Polícia, Parlamento e Tribunais.

Os três investigadores falam de “negociação” nas relações entre fontes e jornalistas para o controle da informação. Não há nada de novo nem de “mal” nisso. A não ser quando cada parte não sabe do seu ofício e se deixa dominar pela outra. Os exemplos abundam, também cá. Como mostra o (mau) exemplo acima citado.
Se questão houver no artigo do assessor do Presidente é o facto de ele, ao discorrer sobre matéria na qual é entendido, não ter acautelado o efeito do seu escrito, atendendo ao enquadramento que necessariamente dele seria feito.
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Aproveito a questão para reproduzir um comentário que fiz no “face”. Talvez aqui fique bem enquadrado e explique as variadas “confusões” que por aí perpassam.
António Campos Leal
Na busca de um nome com a referência de Jornalista foram tantos os nomes que me apareceram que me apetece perguntar. QUEM NÃO TEM CARTEIRA DE JORNALISTA?.
Vão a http://www.ccpj.pt/jornalistas/jornalistas.htm e abram a letra A. Devem ser milhares. Estarão essas “Carteiras” a cumprir o código deontológico? Quem são os responsáveis por tamanha ilegalidade. Se alguém souber que me responda
Comissão da Carteira Profissional de Jornalista
http://www.ccpj.pt
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