VAI E VEM

Ratazanas

A tentativa de branqueamento da decisão de Soares dos Santos, dono da cadeia de supermercados Pingo Doce, feita por alguns, com base no facto de já antes outros empresários e grupos portugueses terem tomado decisões idênticas, escamoteia o facto de Soares dos Santos não ser um empresário qualquer. Era não só um dos homens mais ricos de Portugal, como um empresário com intensa e polémica intervenção política nos média e junto de altas figuras do Estado e do Governo.

O coro de indignação que percorreu o país perante a notícia de que decidira deslocalizar para a Holanda a holding Jerónimo Martins funda-se precisamente na indignidade e incoerência de alguém que andou a insultar os anteriores governantes e a liderar manifestos a pedir consensos para salvar o país.

Decorreram poucos meses desde que, em Abril passado,  depois de em sessão pública ter chamado “mentiroso” ao então primeiro ministro e ter repetido o “número” em entrevista a Gomes Ferreira, na SICN, onde disse que A máquina burocrática é tal  que você tem que passar a vida a untar pessoas ao longo do caminho…”, subscreveu um “abaixo-assinado”  com ex-presidentes e outros “notáveis” a pedir acordos entre os partidos. Depois disso ainda foi à RTP acusar o sector público de ser o responsável pelos problemas financeiros do país.

Nicolau Santos traçou-lhe o retrato aqui.

Pelos vistos, Soares dos Santos cansou-se de “passar a vida a untar pessoas” em Portugal e foi untá-las para a Holanda. 

O povo chama a este tipo de gente ratazanas!

 

 

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