Técnica para instrumentalizar uma comissão parlamentar

O  Público introduz assim a notícia da audição parlamentar dos membros do Grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão:

Pois, deveria ser mas não foi. Era, aliás, previsível que alguns dos membros desse grupo de trabalho aproveitariam a visibilidade que a audição parlamentar lhes daria e o enquadramento extremamente politizado e “picante” em que decorrem sempre as discussões sobre a televisão pública, para atacarem os seus “inimigos de estimação”: a RTP, a Lusa e a ERC

Cintra Torres e José Manuel Fernandes não resistiram ao ajuste de contas com pessoas e instituições que, em devido tempo, não os deixaram sem resposta nem se intimidaram com o facto de ambos disporem de um jornal – o Público – o primeiro na qualidade de crítico de televisão, o segundo como director – para denegrirem sistematicamente quem não lhes aparou o jogo nem se deixou impressionar pelas suas obsessões contra aquelas instituições e as pessoas que as dirigiam.

Ao que se lê na imprensa de hoje,  a ERC e a agência Lusa, esta na pessoa  do anterior director, foram novamente alvos privilegiados de ambos. Não é este o lugar para desenvolver em pormenor o que move aqueles dois membros do grupo de trabalho, nomeadamente contra a ERC (refiro-me ao anterior conselho regulador a que pertenci) que foi chamada a pronunciar-se sobre as acusações de ambos contra a RTP, a Lusa e o ex-primeiro ministro. 

Se a Comissão Parlamentar onde foram ouvidos os dois membros do grupo  pretender conhecer alguma coisa de sério sobre que ambos disseram sobre a Lusa e a RTP poderá consultar deliberações da ERC aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Se a Comissão Parlamentar  ler esses  documentos, ficará a perceber melhor porque razão os dois  declarantes se empenham tanto na crítica à ERC. É que o conselho regulador de então não fazia o que Cintra Torres e José M Fernandes  fizeram na Comissão: nesta, as provas e os factos apresentados por ambos foram igual a zero e o que disseram foi baseado em “espírito santo de orelha”. Ao contrário, o conselho regulador da ERC,  em funções na altura,  investigou, analisou, ouviu as partes conflituantes e só depois decidiu.

Uma grande diferença nos métodos, convenhamos. 

Há talvez uma explicação para a atitude dos dois declarantes: sabendo que iriam ser questionados sobre a “beleza” do relatório de que são co-autores, sobre o serviço público de televisão, anteciparam-se a “desviar” a atenção dos deputados e dos repórteres para temas que  nunca passam de moda: as “pressões” de Sócrates sobre a LUSA e a RTP e a “governamentalização” da ERC (para disfarçar, meteram também o ministro Relvas e o programa desta segunda feira emitido de Angola). Usaram a conhecida  técnica: “a melhor defesa é o ataque”!

De uma só  penada instrumentalizaram a Comissão Parlamentar e os repórteres, evitando notícias sobre a apreciação do relatório.
Esta entrada foi publicada em Assembleia da República, Comunicação e Política, Jornalismo, Sociedade. ligação permanente.

2 respostas a Técnica para instrumentalizar uma comissão parlamentar

  1. valdemar afonso diz:

    SÃO GOSTOS
    Há quem não goste da LUSA, pelas mais variadas razões.
    O jornalista José Manuel Fernandes nunca gostou da Lusa, mas também nunca disse porquê. Agora ataca a Agência, através de um ex-DI, na Comissão Parlamentar de Ética. Não sei quem terá razão e nem tal me interessa agora. Mas será que ele terá ÉTICA? Recordo um triste episódio registado em Julho de 1998, quando da guerra civil na Guiné Bissau.As direcções da Lusa e do Público acordaram alugar em conjunto um pequeno avião para levar os respectivos enviados a Bissau, de Dacar para os Bijagós. Quando eu e o grande repórter fotográfico Manuel Almeida chegamos a Dacar tentámos logo contactar o enviado/director do jornal “parceiro” na deslocação. E só após várias tentativas, incluindo chamadas para Lisboa, nos disseram em Dacar que o nosso “parceiro” se tinha antecipado e fora já para os Bijagós, borrifando-se para o acordo com a Lusa. Claro que o jornal dele pagou um aluguer e a Lusa teve depois de pagar outro.
    Mas a quebra do acordo e da palavra não lhe valeu de nada, pois acabámos por encontrá-lo, bem como a outros camaradas de informação, nos Bijagós à espera de oportunidade para fazer a ligação por canoa com Bissau. Foi uma travessia inesquecível, num dia de fortes bombardeamentos em Bissau, sobretudo contra o Mercado. Mas foi uma atitude “ética” de um jornalista, que nunca mais esquecerei.
    Vem esta recordação a propósito de Ética e do ataque à Lusa.

  2. antoniopedromateus diz:

    Assino por baixo este comentário até porque há muito que me deixa perplexo como é possível dar-se tempo de antena e credibilidade a JMF e a ECT, na análise suspostamente distanciada e credível de entidades de que são ambos assumida e reconhecidamente adversários e críticos figadais.
    Se dúvidas houve sobre o que poderia ter sido uma mais-valia do “produto”, elas dissiparam-se, de uma vez por todas, com o relatório produzido.
    É ignóbil o ataque adicional agora feito aos profissionais da Lusa, por efeito de arrastamento das imputações “coladas” ao anterior DI da agência, ainda por cima encapsulado num sustento (?) “factual” de que “teria de ler as minhas notas”.
    Por muito que LMV fosse próximo de JS, a Lusa não é, felizmente, formada por funcionários acéfalos e seguidistas; bastaria para tanto recordar as sucessivas lutas que o CR travou com a antiga direcção sobre questões de ética profissional.
    Se algum candidato a jornalistas ou jornalista estagiário ler estas linhas saiba que é pré-requisito desta nobre profissão apresentar provas concretas do que se diz ou escreve antes de se comprometer publicamente a reputação de outrem. Nem que seja por ainda vivermos num estado de direito, a presunção de inocência é um direito e não uma concessão arbitrária.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.