Entregar o país à bicharada

As nomeações do governo têm dado manchetes nos jornais, com frases bombásticas, umas arrasadoras para o governo, outras nem tanto. Hoje foi o Diário de Notícias, há dias, o Público, porém, mais ou menos, todos andaram a fazer contas às nomeações.

Público, 16 de Janeiro de 2012

Em ambos os casos, os números são pouco esclarecedores, apesar das excelentes infografias que os acompanham. Destinam-se a produzir efeitos, nestes dois casos, contrários. O título do DN é favorável ao governo, o do Público desfavorável.  O Público, rectificou a notícia  no dia seguinte, pedindo desculpa por ter comparado o que não podia ser comparado. O DN repete na segunda página o título da primeira mas retira-lhe o advérbio de exclusão “Só”, com isso modificando o sentido dos números.

Este tipo de notícias a que os jornalistas não “resistem” presta-se, como se viu estes dias, a todas as manipulações. De facto, uma coisa são as nomeações a que assistimos para a EDP e Águas de Portugal, Caixa Geral de Depósitos, cuja escolha obviamente tem o sentido de “recompensa” por serviços prestados aos partidos do Governo, outra é encher folhas de nomes e lugares na sua maioria desconhecidos (as pessoas e os lugares) dizendo que antes estiveram ali e acolá por indicação do partido C ou D.

Em vez de uma contabilidade cujo rigor se torna impossível de confirmar, interessaria  saber que currículo profissional e académico possuem os nomeados. Se vão substituir pessoas que terminaram mandatos e, nesse caso, conhecer os motivos da não renovação dos mandatos dos anteriores titulares (por exemplo, saber se no caso de gestores os objectivos traçados foram cumpridos ou se a substituição se deve a outras razões e quais).

É que  nas nomeações para lugares de altos quadros da administração directa e indirecta do Estado e de gestão e direcção do sector empresarial do Estado, por definição aqueles que mais mexem com a “coisa” pública, o importante não é a proximidade ideológica ou partidária ao partido A ou B mas sim a preparação técnica ou teórica que possuem, os princípios e valores éticos de que deram provas noutros cargos, a capacidade que mostraram para cumprir metas, dirigir pessoas e inovar nos métodos e processos de trabalho. 

Porque, nomear para esses cargos gestores que antes deixaram empresas falidas, políticos ou ex-políticos que nada mais fizeram a não ser carreira política, directores que nunca dirigiram nada, assessores e adjuntos sem preparação técnica adequada à assessoria que vão prestar, é entregar o país à “bicharada”.

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2 respostas a Entregar o país à bicharada

  1. Vicente Silva diz:

    À democracia da rapinagem segue-se a do pote ou da cuba consoante a região em que nos encontremos e tudo em prol da democratização da economia.

  2. diz:

    Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.
    Os vampiros da madrugada.

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