“Cozinhar notícias” (actualizado)

Foto de Paulo Pimenta, Público

Uma fonte anónima ligada ao  Sporting disse à Lusa que o despedimento de Domingos Paciência aconteceu por causa de o treinador ter mantido contactos com dirigentes do FC Porto.

Esta notícia foi violentamente desmentida por dois dos seus principais protagonistas: Pinto da Costa e Domingos Paciência. Pinto da Costa  não só desmentiu como apelou ao Ministério Público para investigar de onde partiu a notícia, que qualificou como “uma invenção”, como se manifestou disponível para esclarecer como foi cozinhada essa notícia“.

Não sei se o/a autor da notícia ou algum responsável da Lusa já reagiram, nem tão pouco se algum representante da comunidade jornalística se indignou com o insulto contido nas palavras de Pinto da Costa. É claro que só será insulto se, como espero, Pinto da Costa não tiver razão.

É tradição das agências de notícias não veicularem notícias de fontes anónimas, muito menos citarem-nas em discurso directo. Se essa prática não é aceitável em qualquer órgão de informação jornalística muito menos o é numa agência de notícias, para mais com o estatuto da Lusa. É, pois, necessário que o assunto seja esclarecido e que não tenha havido qualquer “cozinhado” entre o/a autor da notícia e a sua fonte.

Como é sabido, o código Deontológico do Jornalista contempla que “o jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.”

Se é certo que o  jornalista tem deveres para com as fontes que nele confiam não tem menos deveres para com os seus públicos. Se foi enganado por uma fonte em quem confiava e deixa o caso passar, à espera que caia no esquecimento, deve estar consciente de que essa decisão significa  que escolheu pôr em risco  a sua credibilidade e a da sua empresa perante os seus públicos para preservar o anonimato de uma fonte que não o merece. 

Bem sei que são fortes e poderosos os “donos da bola”. Mas eles passam e a credibilidade de um jornalista uma vez perdida raramente se recupera.

Actualizado: 

A Lusa publicou um comunicado do qual extraio o seguinte excerto:

“(…) A Direção de Informação da Lusa reconhece agora que, na elaboração desta notícia, não respeitou as normas essenciais do Código Deontológico do Jornalista nem as regras do Livro de Estilo da Agência, nomeadamente a parte em que se determina que “a informação recebida sob condição de não identificar a sua origem requer redobrada exigência na sua confirmação”.

A Direção de Informação reserva-se, contudo, o direito de denunciar a identidade da fonte, caso venha a averiguar que essa fonte agiu de má fé, induzindo a Lusa em erro, cumprindo o que diz o Livro de Estilo, onde se escreve que a regra de proteção da identidade da fonte pode ser questionada quando se verificar que ela “manifestamente usou a proteção da sua identidade para canalizar informações falsas”.

Lusa/Fim

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5 respostas a “Cozinhar notícias” (actualizado)

  1. lidia sousa diz:

    Cada vez mais se adensa na minha cabeça, o mistério do Jornalista saltitão de jornal em Jornal até ao final feliz das gravações das suas conversas por uma funcionária da OPTIMUS, passadas a um funcionãrio das secretas. Ests conversas devem ser tão importantes para este governo, que deu origem à sua saída do Publico em Julho e ser admitido na LUSA ainda estatal em Parte,em AGOSTO, como subdirector. Ainda se junta a noticia da Lusa, com uma fonte anónima. Só não dizem quem foi o autor da noticia da LUSA gostaria de saber porque o mistério adensa-se, pois tem tudo a ver com a guerra entre o PADRINHO BALSEMÃO E O AFILHADO VASCONCELOS, que por enquanto está a ser ganha pelo PADRINHO, pois tem, a visibilidade das suas cadeia de televisão, o seu semanário as suas revistas. o AFILHADO FICOU COM A FAVA JOSÉ EDUARDO MONIZ E UNS TANTOS DO PSD. NÃO TEM VISIBILIDADE E NO MOMENTO ACTUAL QUEM NÃO APARECE NA TELEVISÃO NÃO EXISTE. O D. CORLEONE AO PÉ DISTO ERA UM AMADOR. A GUERRA CONTINU E O RELVAS/TORQUEMADA JÁ RILHA OS DENTES PARA ACTIVAR AS FOGUEIRAS E MARIA JOSÉ PREPARA-SE PARA SER A PRIMEIRA VITIMA,.POIS A DIRECTORA COM OS AUXILIARES ESTAVA PARA VARRER O LIXO QUE INCOMODAVA O GOVERNO, PARA DEBAIXO DO TAPETE. AS MALHAS QUE O IMPERIO TECE, COMO AGORA ELA SE MOVE, COM RECADOS CONSTANTES E A ERC, COM O “BOI” À MODA DO NORTE É “VOI” ,PREPARA-SE PARA DAR A RESPOSTA DA TERRA DO NUNCA COMO FEZ COM AS MINHAS QUEIXAS CONTRA O DIARIO DO GOVERNO TAMBÉM CONHECIDO POR CORREIO DA MANHÃ. QUEM SE METE COM O PAULO FERNANDES, LEVAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!

  2. Pingback: Caso Público/Relvas: se foi assim… | VAI E VEM

  3. Scorpius diz:

    Jornalismo sério sim!…contadores de estórias não.

  4. Nelson Soares diz:

    Permita-me a ousadia de partilhar a minha leitura sobre esta situação. Em primeiro lugar estamos – e não vamos convocar nenhum eufemismo – perante um típico caso de notícia ‘plantada’, o que Pinto da Costa (ele próprio, conhecido plantador de informação) designou e muito bem por notícia ‘cozinhada’.
    Esta informação serviu, em primeiro lugar, como complemento ao despedimento de um treinador e obedeceu a uma estratégia bem delineada por parte do departamento de comunicação ou da própria direcção do clube em causa. Criou-se numa primeira fase o clima propício ao desfasamento entre direcção e treinador, com uma recepção hostil à equipa no aeroporto. O segundo ingrediente deste cozinhado foi a gaffe do presidente do clube ao reforçar a confiança no treinador, numa altura em que alguém da sua direcção (ou até ele próprio) já teria tomado a decisão de rescindir a ligação contratual. Havia que reparar os danos e avançar para a comunicação de crise e a melhor forma de o fazer era, evidentemente, colocar o ónus sobre o treinador, gerando uma notícia que lhe fosse claramente desfavorável e insidiosa. E que conteúdo mais desforável poderia haver para Domingos do que recorrer à proverbial ligação com um clube rival, fomentando assim a ‘ira’ dos adeptos que, na sua maioria, até estavam do seu lado? Há depois a dark force no meio disto tudo, que é o treinador que veio substituir Domingos Paciência. Como é do conhecimento público, Ricardo Sá Pinto é um homem afecto à maior claque do Sporting (lembrar aqui a recepção hostil à equipa no Aeroporto), mas é também um estratega, que sabe, por força da sua formação académica em Marketing Desportivo, gerir muito bem os fluxos de informação e de aggiornamento dos media. Penso que não preciso dizer mais, somente uma última nota: estamos perante uma lição de comunicação estratégica.

  5. «A Direção de Informação da Lusa reconhece agora que, na elaboração desta notícia, não respeitou as normas essenciais do Código Deontológico do Jornalista nem as regras do Livro de Estilo da Agência, nomeadamente a parte em que se determina que “a informação recebida sob condição de não identificar a sua origem requer redobrada exigência na sua confirmação”.» in LUSA

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