O mandante

A prova de que a conversa entre Vítor Gaspar e o ministro das Finanças da Alemanha é de relevante interesse público, justificando portanto a sua divulgação, está no facto de, como se refere aqui, o ministério das Finanças ter sido o “mandante” da decisão dos serviços de imprensa da UEde proibição de entrada da TVI na sala do Eurogrupo para a captação de imagens no habitual “tour de table”.

Se o ministro ficou tão  incomodado com a divulgação de uma conversa que não era sobre a sua vida pessoal ou privada – ele que gosta de dizer as suas graçolas em conferências de imprensa e nas suas prestações  no Parlamento – lembremos o seu gesto teatral a explicar o “desvio colossal” e os seus trejeitos inconfundíveis –  é porque a conversa  era de facto até talvez mais importante e comprometedora do que se tem dito e escrito.

Porque não é natural que o ministro se tenha imiscuído no trabalho dos serviços de imprensa da UE a ponto de “mandar” ou sugerir (é o mesmo, para o caso) que um canal de televisão do seu País seja impedido de trabalhar.

No fundo, o ministro não despiu a pele de funcionário europeu e sabia que  agora  como ministro uma palavra sua dita em Bruxelas a funcionários, seus “ex-colegas”, seria uma ordem. 

E foi assim que assistimos a uma responsável dos serviços de imprensa da UE ultrapassar ainda o ministro das Finanças na dureza da medida a aplicar à TVI. Dizem os serviços de imprensa que a TVI em 2008 divulgou uma conversa privada de um ministro gravada nas mesmas circunstâncias. Porque não fizeram então, nessa altura, os serviços de imprensa, a alteração das regras de captação de imagens?

A resposta é simples: agora estamos de cócoras perante os alemães e não podemos tolerar que uma conversa com o nosso “patrão” (o ministro das Finanças alemão) tenha sido “violada”.

Na cena de 2008, o ministro era Rui Pereira e fez um comentário (de mau gosto) sobre a primeira dama francesa. Ninguém se incomodou em Bruxelas, nem a França proibiu a TVI  de entrar na sala para o “tour de table”…

É que nessa altura não estávamos de cócoras perante os donos da Europa como agora estamos…

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2 respostas a O mandante

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