“A bem da Nação” fomos “além da troika”

Foi chocante ver hoje um membro do Governo dizer no Parlamento que é “uma vitória” a redução de funcionários públicos num número entre  as 17 mil e as 20 mil pessoas e gabar-se de que “os valores ficam acima da meta exigida pela troika no memorando de entendimento que definiam uma redução de 2 por cento”. 

Número de funcionários públicos diminui 3,2 por cento em 2011Helder Rosalino é o nome de tão promissora criatura e tem a pasta da Administração Pública. Um tecnocrata perfeito, tal o entusiasmo e a sinceridade com que se vangloriou da façanha de “ir além da troika”.  Não se lhe leu no rosto nem se lhe  ouviu sequer uma palavra de encorajamento aos que ficam sem emprego ou algo que  pudesse ao menos dar a aparência de que estava ali uma pessoa e não um robot ou outra  máquina falante programada para apresentar o “relatório” das operações feitas. Parecia a minha impressora quando  envia o relatório a dizer que não há tinta no tinteiro.

Estamos entregues a tecnocratas sem alma que nos governam não a pensarem  nas pessoas mas nos  relatórios que vão  apresentar à troika.

Antes do 25 de Abril fechavam-se os ofícios e os relatórios oficiais com a frase “A bem da Nação”. Hoje, a frase é “Fomos além da troika”. “A bem da Nação”, por outras palavras!

 

 

 

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4 respostas a “A bem da Nação” fomos “além da troika”

  1. Samuel B diz:

    O que lhe choca a si também me choca a mim, tal como referi no meu comentário.
    Agora desculpe-me a sinceridade, se andamos todos a vaguear entre a reformulação do programa de assistencia e a reestruturação da dívida dadas os últimos dados macroeconomicos que são piores dos que constam no MoU, então nesse caso temos e devemos ir mais além.
    Se esta é a questão fundamental, como diz e eu concordo, então deixemo-nos de pormaiores e tratemos de evitar, para sempre, a repetição destas situações. Se não o fizermos, então estaremos a ser bem piores que o SEAP, na sua baixa sensibilidade humanista e politica, na apresentação dos resultados.

  2. caro Samuel, a questão fundamental está no último parágrafo do seu comentário. É que o PM já assumiu que o programa da troika corresponde ao programa do seu governo e, pelos vistos, ainda fica um pouco àquem. Ele faz “isto” por ele e pela sua ideologia mais do que pela troika, o contrário do que então afirmou. Claro que não contesto a necessidade de austeridade e a a necessidade de reestruturar a função pública. O que me chocou e levou a escrever o post foi a frieza, para não lhe chamar ligeireza, de um governante que não teve uma palavra para os que ficam dentro dos números de que ele se gabou serem os dos que saem.

  3. Samuel B diz:

    Parece que as pessoas ainda não perceberam que é crucial para a nossa sobrevivência a reforma da administração pública, que possa necessariamente por reduzir e redistribuir os seus funcionários.
    Estas reformas, que são estruturantes, quer sejam na administração pública quer sejam noutro setor (como o dos transportes, nas relações laborais, etc) serão as nossas armas para tornarmos a nossa economia mais competitiva e com isso não só atrair capital estrangeiro (vide a Irlanda neste campo) como também conseguir que as nossas empresas possam competir com as demais estrangeiras.
    Este reajustamento necessariamente terá custos sociais que deverão que ser minimizados na medida das nossas capacidades.
    Não constatar esta realidade será o nosso suicídio enquanto nação independente das demais, nomeadamente dos que nos emprestam dinheiro. Ora, se uma das grandes questões que se prende hoje em dia é a nossa subserviência perante os nosso credores, como podemos estar a denegrir e a contestar precisamente as medidas que vão restaurar a nossa independência.
    Diria mesmo que, olhando para trás fico com a sensação de que não aprendemos com os nossos erros. Continuamos a concordar com a necessidade de vincarmos a nossa independência mas contestamos todas as medidas que a possibilitam, com a “desculpa” dos custos sociais. Mas é precisamente para que não haja no futuro estes custos sociais que temos que os ter hoje. Também eu queria um posto de correios, um posto médico, uma esquadra, um hospital, etc etc à porta da minha casa. E se eu já os tenho, muito dificilmente vou aceitar que os tirem. A não ser que eu perceba que isso é feito a bem de toda a nação. É claro que isto só é possível quando deixarmos de ser egoístas!!!!
    Voltando ao início, até percebo de certa forma o seu post. Está constrangida com o fato de um governante se regozijar com a inevitável saída de funcionários da administração pública com as consequências que isso trás. Até porque a politica deve ser feita sempre para as pessoas e isso implica explicar as medidas para que as pessoas consigam ver um bem maior como resultado da implementação das mesmas. Mas por outro lado, e dada a sua inteligência, não consigo perceber que no seu post critique o resultado das medidas que foram implementadas.
    Apesar de não ser do quadrante político do atual primeiro-ministro, o mesmo disse uma coisa de extrema importância que espelha na perfeição o que deveria ser o nosso estado de espirito. A frase foi: “Srs. da Troika nós estamos a fazer isto por nós e não por vós”. Se percebermos isto e fizermos de facto por nós, veremos que o caminho apesar de ser tortuoso trará grandes benefícios no futuro. Não acha?

    De qualquer forma, parabens pelo blogue.

  4. OutofWorld diz:

    Esta pequena criatura, máquina perfeita na engrenagem da tecnocracia, tem sido um dos meus alvos preferidos, devido ao permanente estado de contentamento idiota que mostra cada vez que, ‘faz um exercício de matemática primeiro que todos os outros e contentíssimo chama o professor a dizer: – já fiz, já fiz!’

    (peço licença para deixar dois complementos, referentes a duas anteriores investidas do Helderzinho:
    http://outofworld.wordpress.com/2011/11/23/helderzinho/
    http://outofworld.wordpress.com/2011/09/15/excedentarios-e-outras-doencas/ )

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