Ser político, hoje

O Congresso do PSD manteve os rituais habituais deste tipo de eventos partidários. Não teve a emoção dos congressos de outrora, não apenas porque o PSD é governo mas sobretudo porque as figuras mais contestatárias e mediáticas foram lá para apoiar o líder, na esperança que o líder os apoie a eles no desejo mal contido de alcançarem voos mais altos: Santana Lopes e Marcelo vigiando-se mutuamente, com os olhos em Belém; Luís Filipe Meneses orientando-se para a câmara do Porto. Marques Mendes, na sua dupla condição de ex-líder e comentador na TVI, a comentar, na SICN, o congresso do seu partido ao lado de Miguel Relvas, ministro e seu companheiro de partido. Todos comentadores de rádio ou televisão e todos candidatos a qualquer coisa, à espera do apoio do líder.

Impressionou assistir à centralidade que adquiriu no discurso dos congressistas, incluindo o do líder e primeiro ministro, o ataque cerrado ao PS. Talvez falta de assunto, talvez “cortina de fumo”, como costuma dizer o Álvaro, alguma coisa os levou ao “tiro ao PS”

António José Seguro não deixou de responder a partir de outros palcos, Carlos Zorrinho também, ambos com palavras firmes.

Fica-se, porém, a pensar no que está a faltar no discurso do PS. Tanta coisa tem sido dita nos últimos  dias sem que surja no discurso oficial do PS a resposta pronta, fundamentada, fria, rigorosa. Hoje, o discurso político não pode ficar em abstracções. O trabalho político requer estudo permanente, equipas a trabalharem para desmontar acusações e enquadrá-las politicamente, conhecer o histórico e trazê-lo à colação sempre que a actualidade o imponha.

Porque não surge uma resposta formal, escrita, fundamentada com os argumentos do PS que já ouvimos a Santos Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Isabel Alçada, sobre a Parque Escolar?

Porque tarda uma resposta dura, formal, enquadrando a “queixa” do  sindicatos dos juízes contra as “despesas” do Governo anterior  no contexto em que surgiu, mostrando, como disseram todos os comentadores, que se trata de inaceitável vingança?

Porque não responde o PS às críticas do PSD e do CDS ao governo anterior, com o levantamento rigoroso de todas as propostas em que o PS e o Governo propuseram medidas de diminuição de despesa que foram sistematicamente recusadas no Parlamento por esses partidos?

Porque deixa o PS sem resposta o discurso de Passos Coelho de que foi o PS que causou ao país todos os “males” que “nos trouxeram até aqui”? Não haverá ninguém no Partido que estude o discurso parlamentar do PSD e do CDS nos últimos anos e analise o que foi dito e feito,  o que votaram e o que não votaram.

A estratégia de não defender o “legado” do PS  e deixar consolidar a ideia de que a crise  é responsabilidade do PS e só do PS, pode ser “mortal” para …o PS. 

Dir-se-ia que o PSD nunca esteve no Governo, que Cavaco não foi o primeiro ministro que mais anos governou, que Barroso e Santana nunca existiram…

Ser dirigente de um partido, deputado, assessor, pressupõe estudo e trabalho de investigação permanentes, bases de dados com informação actualizada, preparação de documentos, acompanhamento  da situação nacional e internacional, formação de equipas para resposta pronta e fundamentada às questões da actualidade…

Ser político hoje não pode ser apenas falar aos jornalistas nos corredores do Parlamento ou nas televisões. Ou criticar com abstracções. Ou arranjar agendas paralelas à agenda do Goveno para ter espaço nos média.

Os cidadãos querem políticos com saber e conhecimento, com capacidade para desmontar argumentos e assumir erros, se for caso disso. Querem políticos que não fujam do passado e que sempre que se justifique confrontem esse passado com o passado daqueles que querem fazer crer que o passado deles foi sempre de sucesso e de glória.

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6 respostas a Ser político, hoje

  1. lidia sousa diz:

    Seguro tem de pagar a oposição que fez em surdina, com constantes reuniões com o Relvas e outros PSD. Porque é um homem comum sem chama. com muito desejo recalcado de chegar a lider fez de tudo, em surdina, traições, confidencias e agora está a pagar o beijo da mulher aranha que é o RELVAS TORUEMADA DE TOMAR E O Passos/ALFORRECA, segundo o seu adjunto muito valiososo: João Gonçalves, jurista das contribuições e impostos, que pode servir de testa de ferro nas negociatas com Angolanos e Brasileiros, porque não é obrigado a declarar rendimentos no Tribunal Constitucional. Eles, os do PSD E CDS, com relevancia para o Montenegro e as reuniões na Loja Maçonica MOZART, onde . O relvas tocava stradivarius, O Montenegro gaita de foles e o pobre do SEGURO ERA O BOMBO. Agora está preso no BEIJO DA MULHER ARANHA. Sócrates de uma elevada educação, poderia muita bem plagiar Julio Cesar ao subir as escadaris do Senado Romana, apunhalado pelas costas, ainda teve tempo de de virar e dizer: TAMBEM TU BRUTOS!!!!!!!!!! Isto aplica-se a Seguro, TEIXEIRA DOS SANTOS O INFORMADOR de belém, catroga etc. QUE ESTEVE QUASE A RECEBER O TACHO( VEJAM COMO ELES O ADULAM). E O EXECRÁVEL CARRILO, entretanto corrido da TVI 24 ppois já tinha cumprido o seu papel e foi descartado, mas lá continua no DN a fazer uma cronica miserável pois apesar de ter uma mulher bonita, é vencido em tudo o que se mete menos no papel de cobra cascavel. Cumprimentos para `Enorme Jornalista Estrela Serrano

  2. Vicente Silva diz:

    São perguntas como as que coloca no seu post,cara Estrela,que tenho posto a mim próprio sobre tudo depois de terem sido largamente ultrapassadas as exigências do ultmato troikano.
    Não compreendo como o PS se adaptou ao papel da Bela Adormecida,permitindo que todo o governo e seus apoiantes o venham cavalgando de tal forma que por vezes atinge as raias da infâmia.
    Quando certas palavras tais como:ética,vergonha,coerência e verdade,entre outras,são esquecidas quando se alcança o poder,algo está errado nesta democracia.
    E este governo,com a sua “revolução tranquila,” faz lembrar a famigerada “maioria sileciosa”.

  3. A C da Silveira diz:

    O Seguro não defende o governo Socrates, porque não pode: é indefensavel! Esse “trabalho” fica para gente como o Lello.
    Estrela Serrano, como jornalista que é tem obrigação de andar menos distraida. Como se deve lembrar, Passos Coelho estendeu o “ramo de oliveira” ao Seguro no Parlamento quando lhe disse que não estava interessado em falar no passado, até para dar uma imagem a quem nos empresta o dinheiro de uma certa unidade nacional. Mas o Tozé não entendeu a mensagem, e sem ninguem o atacar, começou ele a atacar este governo, como se fosse responsavel pelas medidas gravosas que estão a ser aplicadas aos portugueses.
    Agora está a deitar-se na cama que andou a fazer.
    PS, Por resposta do PS “pronta, fundamentada, fria e rigorosa”, está a referir-se por exemplo ao relatorio do Tribunal de Contas sobre a Parque Escolar?

  4. S. Bagonha diz:

    “Quanto ao Seguro………anda à procura de tacho….. aliás já o tem….”. Nem mais, e como o (des)governo do PSD é capaz de durar mais do que ele (Seguro) como lider do PS, há que ir preparando o futuro que o “pote” está logo ali e um cargozito numa administração da banca, EDP, Galp ou Águas de Portugal faz sempre um jeitão. Assim ele vai fazendo uns jeitinhos fazendo de conta que é oposição. As the British say, I’l scratch your back, you’l scratch mine.

  5. antonio ribeiro diz:

    Como militante socialista não posso estar mais de acordo com o seu artigo Estrela Serrano.
    É absolutamente suicidária atitude da actual direcção do partido de não defesa do legado do governo socialista anterior e na não desmontagem da enorme cabala das ditas responsabilidades solitárias do PS na crise económica e financeira e, nomeadamente, no endividamento.
    É só verificar as sondagens gregas sobre o PASOK e tirar conclusões sobre o futuro.

  6. Paula diz:

    Exactamente isso. Infelizmente o PS não o percebeu e infelizmente para o País…
    Quanto ao Seguro parece-me que ele tal como outras antas figuras do PSD anda à oprocura de tacho… aliás já o tem enquanto líder da oposiçãozita!

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