Jornalistas a pedirem a políticos e banqueiros que “se calem” é, no mínimo, inesperado…

A teoria tinha sido enunciada aqui, através do actual director da Antena 1. Repete-se agora no Diário Económico pela pena do director executivo, a propósito das declarações de Vítor Constâncio sobre um eventual segundo resgate financeiro a Portugal. Escreve o citado director: “Constâncio não é um ‘rookie’. É um banqueiro experimentado, que conhece as regras do jogo, e é hoje vice-presidente do Banco Central Europeu. Portanto, sabe o custo elevado de uma palavra dita no momento errado. Então porque cometeu essa asneira no passado fim-de-semana em Copenhaga?” 

É natural que os banqueiros e os políticos meçam as palavras que dizem quando algum jornalista lhes põe um microfone à frente. E também é natural e mesmo recomendável que os seus  assessores e colaboradores os aconselhem a pensarem no que dizem antes de falarem aos jornalistas.

Mas agora atingiu-se um novo patamar. São os jornalistas que censuram  os políticos e os banqueiros por falarem “demais” e dizerem “coisas” em “momentos errados”. E lhes exigem contenção!

O problema desta teoria, defendida por altos responsáveis de órgãos de comunicação social, é que ela induz desconfiança nos cidadãos, uma vez que estes nunca sabem o que escondem os órgãos de comunicação social dirigidos por esses directores.

O jornalismo caracteriza-se exactamente pela  tentativa de desvendamento do que não é público, pela interpretação do que é dito e pela descoberta do “não dito”. Jornalistas a pedirem a políticos e banqueiros que “se calem”, é no mínimo, inesperado…

Por sinal, a “teoria” vem de jornalistas de economia. Mas se a moda pega na cobertura jornalística de outras áreas, para que servirá o jornalismo? Além de que cabe aos jornalistas decidirem o que publicam ou não publicam. E, naturalmente, não publicam tudo o que sabem e ouvem. Não precisam pois, de “mandar calar” os políticos e os banqueiros. Bastam que não lhes dêem ouvidos e investiguem, em vez de fazerem de “pé de microfone”…

 

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Uma resposta a Jornalistas a pedirem a políticos e banqueiros que “se calem” é, no mínimo, inesperado…

  1. J.Azevedo diz:

    contra factos não há argumentos. Estes jornalistas querem” sol na eira e chuva no nabal”.Querem que os politicos se calem(no tempo de Socrates era assim?) mas ao mesmo tempo, acham que é materia para publicar. Estou convencido que este grito tipo ” porque não te calas” veio depois de puxões de orelhas do diretor a mando do Relvas.

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