Um governo fraco lá fora, arrogante cá dentro

Tanta falta de estudo, tantos erros de diagnóstico, tanto tempo perdido em discussões estéreis, provam que grande parte do pessoal dos gabinetes ministeriais, muitos secretários de Estado e ministros incluídos, tem falta de conhecimento da vida real, do país e do mundo.”

Impreparação: o Editorial do Público deste domingo não podia ser mais certeiro.

É fácil constatar que o Governo não está preparado para enfrentar as dificuldades que a crise económica e financeira nacional, europeia e  internacional exige aos governantes.

Passos Coelho foi eleito com uma equipa fraca, sem preparação nem experiência de governação ou currículo (profissional ou académico) que pudesse colmatar essa inexperiência. Chegou ao poder dentro do seu partido por mérito próprio, é certo, ajudado  por “homens fortes” do aparelho partidário que talvez conheçam bem as “distritais” e as “concelhias” mas não o país – as empresas, as universidades, o mundo do trabalho,  os locais onde se pensa, trabalha e discute. Talvez, em períodos eleitorais, visitem feiras, mercados, centros da terceira idade, escolas e infantários, mas não têm, ou nunca mostraram,  vocação para um questionamento e  reflexão aprofundados sobre o País, o presente e o futuro. E sobre o passado, limitam-se, demagogicamente, a destruí-lo sem vontade ou capacidade para distinguirem o trigo do joio.  

É, aliás, sintomático que a figura proeminente deste Governo seja um funcionário europeu que ninguém conhecia, um académico habituado à exposição de teorias e conceitos, hábil na manipulação do economês, de rosto afável e humor  natural, de ar professoral e sabedor mas cujas receitas não  mostraram até agora produzir efeitos positivos.  

Vítor Gaspar, é dele que se trata, depressa dominou o primeiro-ministro e todo o Governo. Nem Cavaco Silva, nem qualquer outro ministro das Finanças tiveram, no Portugal democrático, tanto poder. O seu currículo académico e europeu deu-lhe um indiscutível ascendente sobre o primeiro ministro que nele confia cegamente sem o questionar.

Ninguém no Governo faz sombra a Vitor Gaspar. O seu colega “Álvaro” que seduziu Passos Coelho com uns livros  e uns posts sobre economia no seu  blog, depressa caíu no ridículo nacional antes mesmo de mostrar que além de um “cromo” não tinha a mínima ideia do que fazer com o cargo de ministro da Economia que Passos lhe ofereceu. Nem o matemático Nuno Crato, antes articulista brilhante, se faz notar mais parecendo um  ministro vindo de outro planeta.

É confrangedor assistir às prestações públicas de alguns ministros e secretários de Estado e verificar que nas comissões parlamentares ou nas reuniões  com os parceiros sociais  mais parecem estar ali  para tomarem o pulso às reacções, acalmar os parceiros e proporcionar imagens para os media.

Mesmo os ministros mais “políticos”, como Miguel Relvas, Miguel Macedo ou Aguiar Branco, parecem subalternizados pelo primeiro ministro, que de “primeiro” tem apenas o título, e obrigados a “curvarem-se” perante o ministro das Finanças – verdadeiramente o “primeiro” – a cujos ditames têm de obedecer.

É um retrato triste mas realista de um Governo sem um líder capaz de  apontar  caminhos para o futuro, servil lá fora, arrogante cá dentro, navegando à vista, comandado por um  funcionário europeu em quem ninguém votou mas a quem foi dado todo o poder. 

Seria de qualquer modo mau, mas ainda se torna pior quando o homem que verdadeiramente manda, Vitor Gaspar, com todo o seu saber não conseguiu ainda provar que sabe tanto quanto se pensa que ele sabe.

Os dados aí estão: mais desemprego, mais impostos, mais pessoas sem casa, mais estudantes a abandonarem os cursos…só a austeridade, a pobreza, o desemprego e o desânimo crescem cada dia mais.

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Uma resposta a Um governo fraco lá fora, arrogante cá dentro

  1. Miguel Loureiro diz:

    E ainda não sabia que a recuperação dos 2 salários confiscados era uma hipótese de trabalho e que não implica um compromisso político…

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