Depois de Judite e Medina, Judite e Marcelo

Judite Sousa ‘toma conta’ de Marcelofoto Correio da Manhã

O lugar deixado vago por Júlio de Magalhães já está preenchido. A ex-jornalista da RTP, agora da TVI, vai “contracenar” com Marcelo Rebelo de Sousa.

Este título do Expresso online é interessante, embora pouco canónico. E é interessante porque chama a atenção (sem o dizer) para o dilema de qualquer jornalista que “contracene” (outra palavra usada pelo Expresso) com Marcelo.

“Tomar conta”  ou “contracenar” com Marcelo são opções quase opostas, além de desadequadas, qualquer delas aliás pouco jornalística. Diria que até agora nenhum dos jornalistas que nos Domingos à noite, na TVI ou na RTP, “acolheram” Marcelo no seu espaço de comentário, “tomou conta” dele. Pelo contrário, Marcelo é que “tomou conta” de quase todos, à excepção de Maria Flor Pedroso, na RTP,  talvez a que mais se aproximou do  papel de jornalista, o que, aliás, irritou algumas vezes Marcelo. Mas, no fundo, naquele espaço os jornalistas limitam-se “a falar” com Marcelo ou, melhor, a “deixarem” falar Marcelo.

Como será com Judite de Sousa? Temos o antecedente de Judite com António Vitorino na RTP1 e agora de Judite com Medina Carreira, na TVI. Com Vitorino, Judite era menos interveniente e mais institucional  do que agora na TVI com Medina Carreira, onde surge mais solta e mais “popular” (não obstante a sofisticação do traje, da maquilhagem e do penteado, muito mais “produzidos” que  na RTP).

Diria que Judite é mais “jornalista” com Medina do que  com Vitorino e certamente do que será com Marcelo. Bem sei que a natureza dos dois programas  é diferente embora possuam traços comuns: os temas são escolhidos pelos comentadores (embora, naturalmente, no caso de Medina possam existir sugestões de Judite). Mas Marcelo é “dono” do seu espaço, o jornalista que o acompanha é uma espécie de “apoio” para que o programa não seja um completo monólogo, tipo “Conversas em Família” do outro Marcelo (Caetano).

Com Judite Marcelo talvez vá ser obrigado a algum contraditório, pouco certamente porque ele não está lá para ser contraditado; mas a jornalista vai ter necessidade de não o “deixar”, sem réplica, dizer algumas coisas que o seu antecessor, Júlio Magalhães, ouvia sem pestanejar.

Não vamos talvez voltar a ver trocas de prendas ou de cachecóis do FCP e do Braga  em pleno “plateaux”.  Mas também não é para isso que vemos Marcelo onde quer que ele fale. Vêmo-lo porque ele se tornou num caso único nas televisões europeias: alguém que tem à sua disposição,  há anos, um espaço pessoal em horário nobre, num canal de televisão nacional, onde, semanalmente faz o spin  mais famoso da  política portuguesa.

Trará Judite de Sousa alguma mais valia ao espaço do professor? Ou deixará que, ao contrário do título do Expresso, Marcelo “tome conta” de Judite?

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3 respostas a Depois de Judite e Medina, Judite e Marcelo

  1. Jorge Lemos diz:

    Será que os dois juntos irão conseguir lançar a candidatura do Seara a Lisboa?

  2. Pingback: Depois de Judite e Medina, Judite e Marcelo | Máquina Semiótica

  3. Vieira diz:

    Este post é um exemplo de como alguns se deixam “spinar” de maneira diferente.
    Embora não morra de amores pelo Vitorino, sempre considerei as suas análises mais equilibradas e relativamente isentas, principalmente se comparadas com as do Marcelo. Claro que não é isso que a maralha quer. O que o povão gosta é de “ouvêr” um personagem carismático que, com a credibilidade de um estatuto concebido pelos média, lhe explique, paternal e professoralmente, a única, genuína e insofismável verdade factual.
    Ora o meu grande desacordo com a posta, prende-se com o “brilhantismo” arrebatador do Prof. que só acontece porque os seus interlocutores estão ( por vontade própria, ou não) perfeitamente sintonizados com o dito. Qualquer ” borra-botas” o desmanchava em três tempos, tais são as baboseiras infundadas que o senhor aventa. Quanto aos personagens jornalísticos que referiu, são cócó do mesmo penico, e a Pedroso não fica a dever muito à Judite em termos de agenda ideológica.
    Sinceramente, a Sousa Dias exercia, plácida e discretamente um pouco mais de contraditório, acho eu.

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