O professor Marcelo fez este domingo na TVI, um exercício pouco rigoroso quando chamou à colacção a licenciatura de Sócrates considerando que “Relvas fez tudo direitinho” e Sócrates não. Marcelo não pode desconhecer que Sócrates completou 4 anos de bacharelato no Instituto de Engenharia de Coimbra e que mais tarde frequentou um curso de Estudos Superiores Especializados (DESE) no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) equivalente à licenciatura, uma vez que os institutos polítécnicos só a partir de 1999 passaram a conferir grau de licenciado.
Comparar mais de cinco anos de ensino superior para obtenção de um diploma de engenheiro, como fez Sócrates, com 4 exames feitos num ano e 32 equivalências (a cadeiras não feitas) para obtenção de uma licenciatura, como aconteceu com Relvas, não pode ser desconhecimento vindo de um professor catedrático como é Marcelo. Só pode ser má fé.
Onde Sócrates errou foi ter-se metido numa universidade que só o era de nome, sem crédito e sem valor, para obter o grau de engenheiro através de equivalências a cadeiras que realmente fez. As peripécias dos exames e das disciplinas que lhe foram exigidas nessa universidade, não foram de sua responsabilidade mas sim dos incompetentes que dirigiam a universidade e leccionavam as cadeiras.
Há apenas um elemento que pode ser talvez comparado nos “casos” Sócrates e Relvas: é o facto de ambos terem feito constar do seu registo como deputados uma declaração pouco rigorosa quanto às habilitações literárias que efectivamente detinham na altura desse registo.
O professor Marcelo seguiu o discurso politicamente correcto de outros comentadores e jornalistas que falam dos dois casos – licenciatura de Relvas e licenciatura de Sócrates – como “tiradas a papel químico”. Mas não foram nem são a mesma coisa. Por muito que custe aos amigos do primeiro e aos detractores do segundo. Um estudou os anos suficientes para obter o título de engenheiro. O outro fez 4 exames num ano e deram-lhe 32 equivalências. Ambos eram e são políticos.
É fácil perceber, como disse Lobo Xavier na Quadratura do Círculo na última quinta-feira, que “Sócrates é mais engenheiro do que Relvas é doutor”.

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