Relvas acabará por sair deste caso como vítima dos media e dos interesses que se opõem à privatização da RTP

Ouvi hoje na  TSF o deputado do PSD  Carlos Abreu Amorim afirmar que “Miguel Relvas está a ser alvo da mais «brutal campanha» de ataques de que há memória”.

O deputado está desmemoriado. Ou então não viveu em Portugal nos últimos anos, ou não viu televisão, em especial a TVI no tempo do “casal Moniz”, nem leu jornais como o Correio da Manhã e o Sol. Não se recorda, pois, das  campanhas contra Sócrates por causa da licenciatura, do Freeport, das casas da Covilhã, de tudo e de mais alguma coisa. Esqueceu até os artigos e posts que ele próprio escreveu, em que Sócrates era o seu alvo preferido.

Tudo isto pode ser confirmado revendo o que se publicou nos anos de 2009, 2010 e 2011  sobre José Sócrates. A referência vale apenas para que  Carlos Abreu Amorim e outros que agora se insurgem contra as reacções aos casos que envolvem Relvas não nos tomem por parvos.

Dito isto, considero excessivo e reprovável que jornais “minimamente” sérios reproduzam nas suas páginas as anedotas e os dichotes sobre Relvas retirados das redes sociais, confundindo  manifestações de liberdade de expressão, porventura excessivas e mesmo desbragadas, que sendo naturais e até saudáveis num espaço onde todos se exprimem sem limites, com as responsabilidades que cabem a um jornal feito por jornalistas, que se distinguem (ou devem distinguir) pela responsabilidade, rigor e seriedade.

Refiro-me a estas páginas do jornal i:

Se os jornais e televisões mimetizam as redes sociais e se tornam  espaços de reprodução de manifestações do anedotário nacional sobre políticos e governantes, temos de considerar que esses media abdicaram do seu estatuto. Caberá então perguntar se vale a pena vê-los, lê-los e comprá-los.

Uma coisa é a citação  e a análise de informação ou declarações com valor informativo expressas nas redes sociais, como acontece com  intervenções de figuras públicas como o Presidente da República, o primeiro-ministro, personalidades da oposição ou outras com interesse para os cidadãos, outra é a reprodução acrítica de manifestações sem qualquer valor e interesse informativo.

A “originalidade” das reacções ao “caso Relvas” reside mais no enfoque “floclórico” que lhe tem sido dado, incluindo por media tradicionais, como é o caso dos  aqui citados, do que pela substância  dos ataques e críticas, nada comparáveis às tentativas de difamação e ao ataque sistemático de que foi, e continua a ser, alvo José Sócrates. 

A cobertura da manifestação desta tarde frente ao Parlamento pedindo a demissão de Miguel Relvas é parte de um folclore de que as televisões necessitam para os telejornais.

Miguel Relvas acabará por sair deste caso como uma “vítima” dos media e de interesses e pessoas que se “opõem à privatização da RTP”, como o governo e o PSD já ensaiam com sucesso.

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4 respostas a Relvas acabará por sair deste caso como vítima dos media e dos interesses que se opõem à privatização da RTP

  1. Scorpius diz:

    Um cuco será sempre cuco mesmo que lhe pintem as penas.

  2. EGR diz:

    O Dr. Carlos Abreu Amorim não perdeu, evidentemente, a memória,Ele recorda-se perfeitamente de tudo quanto disse a proposito de Socrates,sem qualquer escrupulo sequer pelo facto de formação juridica e ao que parece ser docente numa escola de Direito.Neste momento é um dos que tentam desvalorizar o que se passou com a licenciatura do ministro fazendo companhia ao Crespo e a mais uns tantos que conhecemos
    Ainda há pouco na TVI 24 aquele senhor da escutas ao Palácio de Belém censurava,hipócritamente, o ministro dizendo, ao mesmo tempo, que o caso do Freeport e da licenciatura de Sócrates foram muito mais graves.
    Confesso-lhe que ao ouvi-los sinto uma certa nausea.
    Mas permita-me que chame a sua atenção para o que se passa na radio pública, em particular na Antena !
    Só na passada sexta-feira, e acerca do assunto, brindaram-nos duas vezes com as análises do “comentador Antena !” Raul Vaz; e hoje de manhã quem opinou foi Luis Delgado.
    Mas, também hoje de manhã no programa Antena Aberta formulava-se aos ouvintes a seguinte pergunta:”acha que o país estando sob assitencia financeira deve discutir o caso da licenciatura de Relvas”?
    Sublinhe-se “o estando sob assistencia financeira” como possível factor impeditivo da discussão
    Apetece-me simplesmente dizer: os salazaristas também argumentavam que,entre outras coisas, se não podia debater a guerra colonial porque ” a pátria não se discute”
    Assim vai a chamada comunicação social.

  3. Pingback: i 1000 | O dia inicial inteiro e limpo

  4. Joaquim diz:

    Carlos Alberto Amorim, deputado do PSD por Viana do Castelo, foi um candidato caído de para quedas no nosso distrito,
    E logo a sua primeira tirada em campanha eleitoral foi dizer que o governo do Partido Socialista nada fez por Viana do Castelo nem pelo Alto Minho, mas o seu partido agora no governo não fez mesmo nada.
    Sobre a sua falta de memória, como pode esquecer os seus ataques ao então primeiro ministro José Sócrates.
    Ele só foi deputado precisamente pelos ataques consecutivos na sua coluna no Correio Manhoso, ao ex primeiro ministro, já todos vimos isso.
    Um dia Abreu Amorim irá pagar pelas suas calunias.

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