O protagonismo de António Borges deve ter uma explicação

O protagonismo concedido a António Borges por Passos Coelho e Miguel Relvas não é normal na relação entre um consultor, ainda que membro do partido do Governo, e o mesmo Governo. Hoje, na Universidade de Verão do PSD, António Borges voltou a fazer declarações próprias de alguém com autoridade no Governo: “o programa está a correr bem, muito melhor do que esperado, disse Borges, ao contrário do que foi afirmado pelo primeiro-ministro que admitiu nem tudo estar a correr como esperado. Também o presidente da CIP afirmou claramente que o programa da troika não está a funcionar, após a reunião que teve hoje com os membros da troika.

A autoridade conferida a António Borges, flagrante no caso das declarações sobre a  RTP, há-de ter uma explicação, política ou de outra natureza, consciente ou inconscientemente assumida por Passos Coelho.

O ascendente que Borges parece ter adquirido sobre ministros e deputados do PSD –  tem mais informação sobre as intenções do Governo do que outros membros da coligação, como se viu no caso da RTP – é ainda mais incompreensível  se nos lembrarmos de que Borges era o número dois do PSD  na altura  em que o partido era liderado por Manuela Ferreira Leite e esta decidiu excluir Passos e Relvas das listas de candidatos a deputados do PSD nas eleições legislativas de de 2009.

Da parte de António Borges, este episódio partidário explicará talvez a sua disponibilidade para assumir o papel de “balão de ensaio” (como forma de “reparar”o facto de, como número dois, não se ter oposto a essas exclusões). Fica, porém, por explicar o poder e a visibilidade que, apesar disso,  Passos e Relvas lhe conferiram.

Há, desde logo, uma explicação possível: Passos e Relvas pensarão que Borges é altamente competente pela experiência adquirida no FMI e no Goldman Sachs (embora se atribua a sua saída do FMI a um desempenho não satisfatório e quanto ao Goldman Sacks aconteceu o que se sabe).

Temos então uma explicação mais prosaica: Borges é doutor em economia e Passos e Relvas são licenciados tardios em universidades privadas portuguesas, o segundo nas condições conhecidas. O “peso” curricular de António Borges deve impressionar Passos e Relvas e daí confiarem-lhe não apenas a preparação das decisões sobre dossiês importantes e decisivos mas também a sua comunicação pública.

Passos e Relvas devem  sentir que um doutor em economia com cargos internacionais de relevo é para eles um “mestre” que devem ouvir, citar e seguir.

Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Governo, Sociologia dos Média. ligação permanente.

3 respostas a O protagonismo de António Borges deve ter uma explicação

  1. Pingback: Sobre as reacções à morte de António Borges | VAI E VEM

  2. Talvez o Prof. Borges seja mais uma imposição da roika, quem sabe…

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