Dizem que tudo se deve a má comunicação

A generalidade dos políticos-comentadores da área do PSD, incluindo “cavaquistas”, atribuem a queda em desgraça do Governo a má comunicação ou a ausência de estratégia de comunicação das medidas anunciadas a semana passada por Passos e Gaspar.

É uma crítica estranha e incoerente para quem acusava o governo anterior, mais precisamente o ex-primeiro-ministro, de se preocupar demais com a comunicação.

Passos foi acusado, com razão, de na sua comunicação de sexta-feira, dia 7, ter lido um texto, de cabeça baixa, meio hesitante, parecendo que não dominava o seu conteúdo e que não tinha sido ele quem o escrevera. (Veio a provar-se na entrevista à RTP que a primeira razão estava certa, além de o conteúdo da declaração ser incompreensível e incompleto) .

Mas os mesmos que agora dizem que Passos não cuida da forma de comunicar as suas políticas (o que serve também para desculpar essas políticas), criticavam Sócrates por se preocupar com os aspectos comunicativos das suas declarações e até por  usar  teleponto, como se fosse uma coisa do outro mundo usar teleponto e saber fazê-lo (“arte” que, diga-se, não é para todos).

Passos e o seu governo são agora acusados pelos seus apoiantes de não terem estratégia de comunicação, pelouro que é da responsabilidade do ministro Relvas e se traduziu, até ao “desaparecimento” do ministro, em  fugas de informação, spin e pressões a jornalistas.

Mas Sócrates e os seus governos eram acusados de terem uma “central” de comunicação,  (que afinal não existia, como se provou pelas campanhas que sofreu, da TVI, do Sol, do Público…) e que, aliás, devia existir em todos os governos (chame-se central, lateral ou transversal).

Em que ficamos?

Ficamos em que o Governo não tem mensagem e por isso não a pode comunicar. Passos Coelho tem até condições técnicas de comunicador: boa presença, boa dicção, boa voz, telegenia…Mas falta-lhe tudo o resto, e esse resto é o principal: cultura política, experiência política, conhecimento dos dossiês, cultura geral, simpatia, afabilidade, humildade.

Mas é bom lembrar o que se disse e o que se diz…Conhecer o passado ajuda a compreender o presente e a preparar o futuro  (como dizia Marc Bloch).

 

Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Política, Sociedade, Sociologia dos Média, Televisão. ligação permanente.

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