Para que serviu afinal a reunião do Conselho de Estado?

Não se percebeu ainda para que serviu a reunião do Conselho de Estado (CE).  Os dois  curtos parágrafos  finais do comunicado onde se  refere que “O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única”, e que foram “ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo”, não dizem nada de novo, uma vez que nesse dia  a “disponibilidade” já era conhecida  e o arrufo na coligação estava “resolvido” desde a véspera.

Já a  longa duração da reunião – cerca de oito horas – poderá ter várias explicações, porém, quaisquer que elas sejam serão sempre irrelevantes para a substância dos problemas com que o país se defronta. Daqui a 30 anos  (segundo o art. 13.º, n. 4 do Regimento do CE) os historiadores que quiserem estudar este episódio poderão consultar a acta desta reunião do  Conselho de Estado e saber ao certo o que se passou. Até lá vamos sabendo o que cada um dos conselheiros quiser dizer em  off ou em on, como fez  Luís Filipe Meneses.

A agenda da reunião   – “Resposta europeia à crise da Zona Euro e a situação portuguesa” – não deixava grandes expectativas, como se veio a confirmar pelo caracter vago do comunicado (como aliás é hábito, dada a dificuldade de obter um texto consensual entre conselheiros com perfis políticos e ideológicos tão diversos). Mas o mais insólito é o facto de o Presidente no próprio dia em que reuniu o Conselho o ter esvaziado  numa daquelas conversas com os jornalistas que o Presidente gosta de fazer à entrada e à saída dos locais onde se desloca. 

Compreende-se que o primeiro-ministro tivesse tentado, e conseguido, esvaziar a questão da TSU  assim se “vingando” do papel que lhe foi atribuído pelo Presidente, de espectador e ouvinte da “palestra” do seu ministro das finanças aos conselheiros de Estado. De facto, a reunião foi transformada numa espécie de seminário sobre  as finanças do Estado, em que o professor Gaspar deu uma aula sobre como resolver os buracos do orçamento.

Mário Soares saíu  pouco tempo depois de Gaspar (pelos vistos, foi o único conselheiro a perceber que não havia ali nada de novo nem de  útil).

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2 respostas a Para que serviu afinal a reunião do Conselho de Estado?

  1. Davide Gravato diz:

    Acho que no meio do que já se sabe, deve ter rolado umas piadas e conversas da treta. Mas isso não é importante. Importante é o que já se sabe. E eu sabia que nenhum do BE iria lá estar, por exemplo. Isso é meio estranho, mas a diversidade nunca interessou a países conservadores (e não estou a dizer que o BE não o é). Mas enfim…

  2. Manuel Loureiro diz:

    O presidente convocou o CE para lhe dar cobertura, o que, sem espanto, conseguiu. Repare-se que nenhum conselheiro recusou fazer o papel de aluno ignorante do senhor Gaspar, nem os seis socialistas fugiram à humilhação que o presidente lhes serviu.

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