Se o primeiro-ministro não percebe o que está a acontecer no País, convinha que o Presidente percebesse

As declarações de António Borges chamando “ignorantes” aos empresários invadiram as redes sociais e a blogosfera de uma maneira “viral” contaminando  o governo e com ele toda  a “classe política”. Os inúmeros posts e comentários, alguns de grande “violência” verbal, multiplicaram-se através de “partilhas” em que pessoas dos mais variados “perfis” manifestaram a sua indignação e revolta contra Borges, contra Passos Coelho e todo o governo. Outros, claramente alinhados com o pensamento do conselheiro, atribuíram  às dificuldades de comunicação de  António Borges  as reacções negativas às suas palavras.

O “silêncio” oficial e a ausência de demarcação de alguém da maioria governamental face às palavras de Borges é um sinal revelador, não apenas do ascendente que este personagem possui sobre o Governo mas, sobretudo, do vazio de poder e da incapacidade do Governo para afirmar a sua autoridade perante os técnicos que contrata e que falam com mais à vontade de temas sensíveis da governação do que os ministros.

Não sabemos com rigor qual a influência das redes sociais e da blogosfera na formação da opinião das multidões de internautas que “postam”, “comentam”, “gostam”, e “partilham”. Mas sabemos que essas comunidades virtuais influenciam os media tradicionais, jornalistas e comentadores,  chegando através deles aos públicos desses meios, num movimento imparável que não cessa de se espalhar,  encontrando “saída” em manifestações como a de 15 de Setembro e as que “cercam” os membros do governo onde quer que vão.

O governo  não sabe como lidar com estas comunidades virtuais e os partidos da oposição reagem  juntando-se a elas, assumindo que não podem enquadrá-las nem, muito menos, controlá-las.

Os movimentos que se geram nestes espaços virtuais, sejam de revolta e repulsa como neste caso contra as afirmações de António Borges, ou de amizade e solidariedade como em 15 de Setembro, são dificilmente  reversíveis.

Desde a famigerada comunicação ao País do primeiro-ministro sobre a TSU, o que lemos, ouvimos ou vemos, nos escritos, nos sons e nas imagens que pululam pela internet, dizem-nos que o Governo, este governo, já não tem mais capacidade nem autoridade para fazer-se ouvir e acreditar.

Se o primeiro-ministro não percebe o que está a acontecer no País, convinha que o  Presidente Cavaco percebesse.

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7 respostas a Se o primeiro-ministro não percebe o que está a acontecer no País, convinha que o Presidente percebesse

  1. Davide Gravato diz:

    é de uma extrema arrogância… coitado.

  2. EGR diz:

    O Presidente,provavelmente, percebe muito bem tudo quanto se passa. O problema é que ele está comprometido com a origem da actual situação e não sei se há muito a esperar de quem de alguém que raramente tem dúvidas, e sobretudo nunca se engana.

  3. Carlos Dias diz:

    Infelizmente as nossas votações conseguiram o pior resultado possível: um mau Governo e um mau presidente.

  4. Vicente Silva diz:

    Tanta vergonha tem o pseudo ministro das privatizações A.Borges como os empresários que assistiam ao
    simpósio, que depois de insultados,se mantiveram impávida e còmodamente sentados,quedos e mudos,esquecendo que existia uma porta de saída.
    Provàvelmente regressam às suas empresas felizes e contentes com o atestado de ignorãncia que lhes foi atribuido por um ser superior vindo do àlém,dotado de uma inteligência inatingível pelo comum dos mortais.

  5. josé alberto magalhães diz:

    Este senhor António Borges é APENAS o maior estratega do actual governo e é dele que saem as directrizes que a dupla Coelho/Gaspar anuncia… O mau perder por ele ontem exibido denuncia o quanto vale para o líder do executivo que, assim, se assemelha a uma verdadeira marioneta nas mãos dos “grandes liberais” deste país… Quanto mais tempo vemos tolerar isto? Quanto mais tempo o cobarde do presidente da República vai ficar calado? Aguardo 5 de Outubro com muitas expectativas.

  6. antónio ribeiro diz:

    O grave é que os dislates deste génio incompreendido, no dizer dos escribas de serviço, causam gravissimos prejuízos ao País. Não nos esqueçamos que este cavalheiro ressabiado, por ter sido despedido do FMI, foi o responsável pela venda e desmantelamento ao desbarato de uma empresa industrial portuguesa com expressão mundial, a CIMPOR. Este sujeito, possivelmente afectado psicológicamente , obrigou a CGD a vender a posição que tinha na CIMPOR por meia dúzia de tostões, prejudicando gravemente a CGD, a CIMPOR Portuguesa e a economia nacional, enfim todos nós contribuintes e cidadãos de Portugal.
    Este cavalheiro não pode continuar a ditar ordens na venda do Património do Estado!

  7. O Borges tem um sério problema anatómico. Já em Junho me tinha parecido isso:
    http://exiladonomundo.blogspot.pt/2012/06/anatomia-do-borges.html

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