A nova procuradora-geral e o seu ilustre progenitor

Ouvi na RTP  que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) não encontrou novos indícios que justificassem uma investigação a José Sócrates na sequência da decisão do tribunal do Barreiro que mandou extrair certidão para que fossem apurados todos os factos relativos à intervenção de José Sócrates no processo do Freeport e encerrou o processo.

Joana Marques Vidal é presidente da APAVFicou também a conhecer-se hoje o nome da nova Procuradora-Geral da República – Joana Marques Vidal. As notícias e os comentadores alegram-se que tenha sido escolhida pela primeira vez  “uma mulher” para ocupar o cargo. Falam também no facto de ser filha e irmã de “ilustres magistrados”.

Achei curioso porque, precisamente, ouvi há meses na TVI 24, e registei aqui,  com alguma indignação, confesso, declarações do ilustre progenitor da nova Procuradora-Geral, nas quais ele afirmava que “a história do Freeport foi muito mal investigada, e o caso  dos lixos da Cova da Beira foi muito mal investigado…”, sendo que o primeiro é agora arquivado “definitivamente” (segundo a RTP2).

Fiquei com pena que a decisão do DCIAP, de arquivamento da investigação a Sócrates, não tivesse sido tomada já na era da nova Procuradora-Geral…e pergunto-me se o  seu ilustre progenitor iria ou irá  de agora em diante mudar de opinião sobre as investigações feitas pelo Ministério Público…dirigido por sua filha.

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7 respostas a A nova procuradora-geral e o seu ilustre progenitor

  1. fersal diz:

    JOB for the GIRL
    Imaginem que era o anterior PGR a dizer isto em Maio-2011.
    Caia logo “o carmo e a trindade”, ai que escândalo está a protege-lo…
    Agora é visto como uma coisa normalíssima especialmente pelos “magistrados soberanó-sindicalizados” e pelos jornaleiros ao serviço do sistema … !!!

  2. Manuel Azevedo diz:

    Cara Ana Maria:
    Para terminar e, confessando-me “viúva” de Sócrates, transcrevo um post que hoje coloquei no meu mural do Facebook a propósito da notícia do CM:
    “Procuradores consideram que antigo primeiro-ministro foi mencionado na base do “ouvir dizer”…
    ——————————————————————————————————————-
    Fim da novela “OUVIR DIZER”, patrocinada pelos FREEPORCOS, num processo aberto por uma denúncia em carta anónima, a conselho de um agente da PJ, mais tarde condenado como criminoso.
    Como, que conste, até hoje, em Portugal, ainda ninguém foi condenado sem provas, preferia que o processo fosse reaberto e que a pessoa caluniada e julgada na praça pública, nunca legalmente suspeita, nem arguida, nem sequer arrolada como testemunha, tivesse a oportunidade de ser chamada a defender-se. Depois de mais de 6 anos de investigações de gente mortinha por fazer a folha a Sócrates e de mudanças de investigadores ao sabor das conveniências eleitorais da pandilha hoje no poder, encerra-se sem honra nem glória, uma página negra da miserável justiça que (não) temos.

    (Manuel Azevedo)

  3. Manuel Azevedo diz:

    Cara Ana Maria: Sobre os negócios do tio e primo de Sócrates, segue-se a notícia sobre o arquivamento do processo dos movimentos das suas contas. Apenas acrescento que é público que tio e sobrinho não tinham qualquer relacionamento dado que a mãe de Sócrates era filha do primeiro casamento do seu milionário avô e o tio, do segundo, vindo daí uma certa desavença. Além do mais, o tal tio, era do PSD e foi deputado durante 4 anos por esse partido na Assembleia Municipal de Setúbal. Para finalizar, como se constata pelos documentos em apreço, a sua fortuna já vinha do século passado, logo, muito antes de Sócrates ter sido ministro. Chega?
    ——————————————————————————————————————–
    DCIAP arquiva inquérito sobre documentos bancários de tio de Sócrates
    Lusa
    27 Set, 2012, 15:25

    O Ministério Público (MP) arquivou o inquérito relativo aos documentos bancários (constituição de offshore e movimentos de dinheiro) de Celestino Monteiro, tio do ex-primeiro-ministro José Sócrates, por não revelaram, só por si, qualquer ilícito criminal.
    “Realizado o inquérito não foi carreado para os autos quaisquer elementos que nos permita concluir que os documentos em apreço nos autos são elementos de prova indiciadores da prática de ilícitos criminalmente punidos, nomeadamente dos crimes de corrupção ou de branqueamento de capitais”, refere o despacho de arquivamento do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), a que a Agência Lusa teve acesso.

    A decisão do DCIAP apoiou-se na informação elaborada pelo Núcleo de Assessoria Técnica (NAT) da Procuradoria-Geral da República (PGR) que concluiu que os “documentos elencados não revelam, só por sim, factos suscetíveis de configurar ilícitos criminais praticados pelos intervenientes”.

    Segundo o DCIAP, dos documentos resulta apenas a comprovação da constituição da offshores Medes Holding LLC, da identidade dos seus beneficiários (incluindo familiares de José Sócrates) e da realização de inúmeras transações bolsistas por Celestino Monteiro, bem como da realização de diversos negócios pelo mesmo, nomeadamente a aquisição de um veículo automóvel”, da marca Maserati modelo 320 GT.

    O despacho, assinado pela procuradora Maria João Almeida Costa, refere que “não foram apurados indícios de que as quantias identificadas nos diversos documentos junto aos autos tivessem origem ilícita e que a sua movimentação, nomeadamente as transferência para as suas contas bancárias, se destinasse a dissimular a sua origem ilícita”.

    Assim, os elementos colhidos para a investigação não permitem, de acordo com o DCIAP, concluir que as quantias monetárias resultantes dos documentos tivessem sido obtidas por Celestino Monteiro ou terceiros, de forma ilícita e que foi utilizada pela Medes Holding LLC para ocultar tais quantias monetárias.

    O DCIAP lembra que os documentos foram colocados online no site do Fórum Nacional, do líder de extrema-direita Mário Machado, porquanto eram titulados por um tio do então primeiro-ministro José Sócrates, mas “sem que houvesse uma suspeita alicerçada em factos concretos de que eram prova de factos ilícitos”.

    O DCIAP sublinha ainda que todas as pessoas inquiridas – Mário Machado, o economista Rui Manuel Teixeira Santos Dias, as jornalistas da TVI Alexandra Borges e Manuela Moura Guedes – “não foram capazes de fornecer factos concretos de que Celestino Monteiro ou terceiros tivessem praticado atos ilícitos criminalmente punidos”.

    Ao ser inquirido, Mário Machado (atualmente preso), justificou que encontrou na sua caixa de correio uma pasta contendo documentos de empresas offshores detidas por familiares de José Sócrates, tratando-se de depósitos bancários em offshores, transação de ações e aquisição de um veículo Maserati. Referiu desconhecer como os documentos foram obtidos e por quem, tendo os mesmos sido mais tarde entregues a jornalistas da TVI.

    Ao ser inquirido na investigação, o tio de Sócrates declarou que os documentos lhe pertenciam e se tratavam de documentos antigos que guardava no escritório da sua residência na Avenida Almirante Reis, em Lisboa.

    Explicou que, em 2007, voltou a casar e passou a residir em Vila Real, tendo os seus dois filhos (Carlos e Diana) ficado a habitar aquela casa.

    Segundo disse, terá sido o seu filho Carlos que guardou os documentos na casa da sua namorada Vera e terá sido na residência desta que um outro homem, de quem aquela tinha um filho e que conhecia Mário Machado, subtraiu a papelada.

    Relatou que, na altura, não apresentou queixa à polícia, porquanto o seu filho lhe pediu para não o fazer, pois teria recebido um SMS com ameaças, o que o deixou “muito assustado”. justificou ainda que os documentos eram muito antigos e “sem relevância”.

    O tio de Sócrates esclareceu que tem “fortuna própria já há vários anos” e que tentaram “ligar o dinheiro por si ganho a José Sócrates, sendo que a mãe deste é a+penas sua irmã consanguínea e nunca foram próximos, tendo, aliás, visto pessoalmente o seu sobrinho (Sócrates) apenas seis vezes”.

    Quanto à Medes Holding LLC disse tratar-se de uma empresa detida por si, pela mulher e filhos, alegando esta já fora extinta há anos.

    A única atividade da empresa era a compra e venda de ações que era por si realizada diariamente, fazendo-o numa sala do Banco Nacional de Crédito (adquirido pelo Banco Popular), sendo os extratos junto aos autos comprovativos dessas transações bolsistas.

    (RTP)

  4. Manuel Azevedo diz:

    Cara Ana Maria: A propósito das casas da mãe de Sócrates, transcrevo a seguir um depoimento do saudoso Mário Bentencourt Resendes, publicado em 20O9:
    DOMINGO, FEVEREIRO 01, 2009
    A casa da mãe de José Sócrates
    Lamento profundamente ler nos jornais tanta imbecilidade. Aliás, a vida está tão difícil que a partir deste primeiro de Fevereiro é-me impossível comprar mais do que um jornal e, neste sentido, serei mais um a colaborar para o encerramento de alguns, esperando que os primeiros a fechar sejam os pasquins.
    Pela frente de alguns olhos esbugalhados e pelo interior de ouvidos ressonantes repassou a notícia de que a senhora mãe do primeiro-ministro José Sócrates teria comprado uma casa através de uma empresa sediada em offshore. Manchete, abertura de noticiários, reportagem especial de investigação SIC/Expresso, enfim, o costume da actualidade para angariar audiências de modo selvático. Foi dado a entender ao povinho que a senhora teria cometido um “crime”, possivelmente com dinheiro relacionado com as “luvas” que o sobrinho teria recebido do Freeport.
    Ao que nós chegámos é profundamente lamentável. Jornalismo, não é? Investigação, não é? Só se for na tasca do tio Manel ou no centro comercial Colombo.

    Em primeiro lugar, estou à vontade a escrever isto porque sou um crítico das políticas de José Sócrates. Mas, sempre defendi a verdade dos factos e notícias com fundamento. Se calhar estive errado e fiz mal ao longo da vida. Se tivesse optado pelo contrário, estava hoje podre de rico ou já tinha um “tacho” na agência Lusa. Recordo-vos que um dia, noticiei algo bem fundamentado acerca de um tipo poderoso e fiquei de pernas cortadas para sempre.

    Todavia, fundamentar o que se escreve é essencial e, por essa razão, é que quero dizer-vos hoje aqui no meu blogue que a senhora mãe de José Sócrates já devia ter tomado uma posição contra todos aqueles que a insultaram com a estória da compra da casa com dinheiros sabe-se lá oriundos de onde. Acontece que a senhora é rica, riquíssima e não é de agora. A senhora mãe de José Sócrates pode, se o quiser, comprar uma, duas ou as casas que entender. Para aqueles que não sabem o que é investigação e que nem se dão ao trabalho de perguntar quem é a senhora, eu digo-lhes: a senhora mãe de José Sócrates é filha de um homem que ao longo da vida trabalhou na exploração do volfrâmio nas minas do Norte de Portugal. O seu pai ficou rico, muito rico, riquíssimo e quando faleceu deixou uma fortuna incalculável à senhora mãe de José Sócrates e a outros filhos de um seu segundo casamento.

    Se esses grandes “especuladores” das notícias quiserem mais alguns detalhes eu posso dar-lhes… mas, só se pagarem! Chega de borlas…

    (Mário Betencourt Resendes, jornalista falecido, ex director do “dn”)

  5. lidia sousa diz:

    Cara Ana Maria, não é a Joana que vai para Procuradora é a Santissima Trindade, O PAI, O FILHO E A JOANA. O provável era o filho que tanto lutou para isso mas dado o envolvimento dele na conspiração contra o Sócrates, ao ponto de no Inquérito Parlamentar no Parlamento, mandar uma carta, escutas e documentos em segredo do justiça, aconselhando os deputados a utilizarem-nos para ficarem no relatório. Se não fosse o Presidente MOTA AMARAL a proibir, porque era ilegal, tudo correria conforme os seus desejos. O Pacheco Pereira ainda leu uma parte, o João Almeida do CDS outra parte, mas por fim temeram as consequencias do acto e puzeram o assunto de parte. AGORA NÃO É UMA PROCURADORA MAS SIM UMA TRÍADE que passa a amar, amar perdidamente, o Ministério publico como deseja a loira Ministra da Justiça. ON VERRA

  6. Cara Ana Maria
    O seu comentário é um exemplo de como o ódio a Sócrates pode turvar o raciocínio. Não li qualquer notícia, nem o meu post critica a nova procuradora, cujo trabalho não conheço. Pelo contrário, as notícias que li ou são neutras ou positivas. No meu post recordei uma intervenção infeliz (para dizer o menos) do magistrado Marques Vidal, pai da nova procuradora, em que ele analisa de maneira sectária as investigações do MP relativamente a sòcrates. Não sei quem é que “estremece”, mas parece-me que é a Ana Maria, a avaliar por este seu comentário.

  7. Ana Maria diz:

    Sócrates nunca teve nada a ver com os negócios obscuros do tio nem dos primos. Nem mesmo com a espantosa aquisição dos apartamentos da mãe.
    Agora, só por ser filha de quem é, tudo estremece com a nova PGR.
    Serão as viúvas de Sócrates receosas que descubram finalmente a careca ao seu mentor e assim fiquem para sempre impossibilitado o seu regresso messiânico????

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