Nuvens negras sobre o sector dos media (actualizado)

Hoje foi o primeiro dia de uma greve dos jornalistas da agência Lusa, que se prolonga por quatro dias, contra os cortes que a impedirão de desempenhar o seu papel como plataforma de informação da diáspora portuguesa no mundo, elo de ligação entre o País e os seus emigrantes.

Está também anunciada para amanhã a greve dos jornalistas do jornal Público, em defesa dos postos de trabalho de 48 profissionais nomeados para despedimento, cujo trabalho é indispensável à manutenção da qualidade do jornal.

Tenho dúvidas sobre a eficácia  de greves que não abranjam todos os grupos de comunicação social. Se amanhã os jornais, as rádios e as televisões nacionais e locais, nas suas edições tradicionais e digitais, continuarem a fornecer aos seus públicos a informação habitual – sobre a política, a economia, o desporto, a cultura…- será que os cidadãos  sentem que falta o trabalho da agência Lusa e do jornal Público? E, no entanto, sabemos como a Lusa alimenta diariamente todos os meios, sem o que muitas notícias não chegariam ao nosso conhecimento. A falta da Lusa sentir-se-à provavelmente mais na emigração mas nós talvez nem cheguemos a saber ao certo a falta que os nossos emigrantes sentiram. E os leitores do Público, se a greve impedir a sua saída, procurarão alternativas noutros jornais…

Uma greve geral do sector teria, naturalmente, efeitos muito diferentes. Só na ausência total da informação mediada por jornalistas, os cidadãos sentiriam o que é viver um dia, ou vários dias, sem notícias….

– Hoje soube-se também da venda a “angolanos” do grupo Controlinveste, dono do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, O Jogo. 

Não se sabe ainda quem são os compradores e o  que os leva a comprar um grupo de media que se debate com enormes dificuldades. Perante a crise em que o país está mergulhado, que arrasta a crise de todo o sector da comunicação social, é legítimo pensar o pior.

Espera-se que quem comprou os títulos de Joaquim Oliveira, todos eles de grande valor simbólico pelo que representam na história dos media em Portugal, não os utilize como instrumentos de influência e de pressão sobre o poder político para obter facilidades noutros negócios.

A internacionalização é bem vinda e Portugal necessita de investidores que queiram ajudar o País. Mas se vêm para despedir trabalhadores e fazer política, é melhor ficarem por onde estão.

Precisamos de saber urgentemente quem são os compradores e quais as garantias que dão de respeitarem a liberdade de imprensa e as leis que orientam o sector dos media em Portugal.  

Actualização

A Newshold é segundo o Negócios a compradora da Controlinvest. Uma desgraça nunca vem só…

Será que pode? O que é a Newshold?

Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Imprensa, Jornalismo, Rádio, Sociedade, Sociologia dos Média, Televisão. ligação permanente.

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