Danças de salão, política de sinais ou sinais sem política?

Passos Coelho chama António José Seguro a S. Bento, depois de uma troca de cartas. O encontro dura quase duas horas e os repórteres não puderam entrar em S. Bento. No final,  Seguro falou e realçou a importância do “diálogo político”. Mas sobre a substância da conversa não se sabe mais do que já se sabia antes do encontro, isto é, que o Governo quer contar com o PS para cortar 4 mil milhões de euros no Estado Social e que o PS não aceita esses cortes nem uma  revisão constitucional.

António José Seguro reúne amanhã com o Presidente mas não se sabe de quem partiu a iniciativa, porque a  Presidência não diz e o PS também não. O “pormenor” parece irrelevante mas não o é.  Se a iniciativa partiu do Presidente, o sinal de “perigo” é vermelho: o Presidente não chama o líder da oposição, depois de ele ter praticamente cortado com o governo e com a troika, sem uma razão muito forte. Poderá, pois, vir aí borrasca… Se a iniciativa do encontro partiu de Seguro é “alerta amarelo”: Seguro quer informar o Presidente de viva voz, o Presidente aceitou ouvi-lo e… nada mais.

António José Seguro reuniu também com as centrais sindicais e à saída não faltaram palavras duras e claras de todas as partes de rejeição do orçamento de Estado para 2013.  A UGT “converge” com o PS na “preocupação pela situação muito difícil” do país e dos portugueses. A CGTP responsabiliza o memorando da troika pela situação do País.

Para além da clareza das declarações dos protagonistas no final desses encontros, há também aqui sinais que merecem leitura: desde logo, a sucessão de reuniões a assinalar a “urgência” e a gravidade da situação, que levou António José Seguro a deslocar-se, a seu pedido, às sedes da UGT e CGTP. 

Depois, a composição, pouco canónica, da delegação socialista: Seguro fez-se acompanhar pelo antigo presidente do Conselho Económico e Social (CES), Alfredo Bruto da Costa,  e  por Glória Rebelo, especialista em “protecção laboral”  (para além, naturalmente, do secretário nacional do PS para a Organização, Miguel Laranjeiro). Sinal de que o momento é grave e  justifica “reforços” para além da “prata da casa”.

A política exerce-se também através de gestos e não só de palavras. O silêncio do Presidente é mais eloquente de que muitas das suas declarações. O “convite”  do primeiro-ministro ao líder do PS para o encontro de hoje, tem duas leituras: ser feito através de uma “carta” e  o seu conteúdo ser desconhecido.

Os próximos dias dirão se a política de sinais corresponde  a algo de substantivo ou se  é apenas um desfile de danças de salão…. Seria fatal para o PS se tudo se ficasse por sinais, sem política e sem substância!

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