Este domingo, no Funchal, saíram-lhe algumas pérolas dirigidas não se sabe bem a quem:
Neste passo, é um primeiro-ministro ao estilo “Zé povinho” empertigado, peito aberto às balas, irritado com os que não pensam como ele e o vaiaram nessa tarde, como quem diz “chego para vocês e se for preciso vou-lhes ao focinho”. Só lhe faltou fazer o manguito…
E logo a seguir:
(…) “muita gente supôs que se podia viver de forma contínua acima das suas possibilidades (…)”.
Mas quem é essa gente, afinal, sempre tão presente no seu discurso? Serão os seus amigos Catroga e António Borges? Serão aqueles que o seu governo poupou aos cortes nos salários? Ou os assessores a quem pagou os subsídios de férias que cortou aos funcionários públicos e pensionistas? Quem é que viveu “de forma contínua acima das suas possibilidades”? O senhor primeiro-ministro vive acima das suas possibilidades? Comprou a sua casa a pronto-pagamento ou pediu empréstimo ao banco?
Continuou o primeiro-ministro:
Mas os que “mais acesso têm à televisão” e os que “têm mais” são precisamente os seus amigos…aqueles a quem o governo dá notícias em primeira-mão, entre os quais, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa que dia sim, dia não, o “contestam vocalmente” na TVI, para parecerem independentes.
E outra vez o primeiro-ministro:
Por onde andará o primeiro-ministro que não sabe que “os que foram acumulando privilégios” continuam a acumulá-los porque o seu governo tem medo que fujam com o dinheiro para fora do País?
E sobre os que “têm pensões de 240 euros” não “fazerem debates”, Salazar não diria melhor. Não fazem debates porquê? Porque o primeiro-ministro não os vê na televisão? Ou porque acha que são ignorantes e estúpidos? Experimente andar a pé ou nos transportes públicos que logo os encontra…e, se tentar falar-lhes, logo presenciará o “debate” que merece!
O primeiro-ministro está tão obcecado com o viver dos portugueses “acima das suas possibilidades”, que dá o exemplo “falando” abaixo das suas possibilidades e obrigando quem o ouve a baixar também as possibilidades de aguentar os seus discursos.