Sobre a indigência intelectual e científica de decisores políticos

CIMJ_cartazMiniaturaWebDurante dois dias, com início esta quinta-feira, vai realizar-se o IV Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia, durante o qual serão apresentadas 104 comunicações, 31 das quais de autoria de investigadores estrangeiros vindos do Brasil, Espanha, Estados Unidos da América, Holanda, Turquia, África do Sul, Índia, Polónia, Roménia e Moçambique.

Tendo como tema central a investigação em media e jornalismo, o  Seminário vai homenagear Nelson Traquina, professor jubilado da Universidade Nova de Lisboa, nome incontornável no ensino e na investigação do jornalismo em Portugal, autor de vasta obra  e fundador do Centro de Investigação Media & Jornalismo (CIMJ).

Num momento em que o jornalismo e as empresas jornalísticas atravessam uma profunda crise, que não é apenas devida à crise económica e financeira mas também de modelo de negócio, de objectivos e de valores face aos desafios colocados pela Internet, nomeadamente pelos novos media, é promissor que tantos investigadores de tão diversas nacionalidades e escolas desenvolvam investigação numa área que em Portugal mostra também  enorme pujança ao nível da investigação e da produção científica, não obstante os jornalistas e as empresas de comunicação revelem, de um modo geral, escasso interesse  em acompanhar os estudos  académicos sobre as áreas em que trabalham.

Os resumos das sessões de tema livre mostram uma diversidade temática que percorre praticamente todos os sectores dos media – da rádio, à imprensa, à televisão, aos novos media – dando nota dos resultados obtidos em diferentes países.

Felizmente, este Seminário não é um caso isolado de realização de eventos científicos em Portugal. De facto, rara é a semana em que não se realiza entre nós um ou mais congressos,  colóquios, seminários e encontros sobre as mais diversas áreas e temas. Por isso, é tão chocante verificar a ausência de políticas públicas que se baseiem em estudos científicos e constatar a pobreza do debate público, encerrado em clichés e visando objectivos que nada têm a ver com o interesse público.

As políticas públicas (a ausência delas) para a área dos media e do jornalismo são bem um exemplo da falta  de conhecimento, de estudo e de discussão pública sobre um sector vital para a democracia. As políticas anunciadas para a RTP e o chumbo, pelos deputados da maioria, da lei que garantiria a  transparência da propriedade dos media são exemplos bem actuais da indigência intelectual e científica dos decisores políticos.

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