Justiça impune e jornalismo de fretes

Medina Carreira SOL

Será que a ministra da Justiça vai repetir que “acabou a impunidade?

E não tem nada a dizer sobre a violação do segredo de justiça?  

E o que dizer desta peça do semanário SOL?

“(…) O fiscalista é suspeito de crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais. O homem das previsões apocalípticas e um dos que mais têm pedido responsabilidades à classe política sobre a situação do país – defendendo a criação de uma polícia fiscal para acabar com a teia da economia paralela – acabou por ser um dos alvos das autoridades, por fazer parte da lista de clientes de Francisco Canas. (…)”

Simplesmente deplorável, seja o que for que se pense de Medina Carreira e das suas opiniões políticas e económicas.

Sol Monte Branco ng1239173_435x527Tanto mais que há meses, o mesmo jornal  se mostrava  muito preocupado com “o lançamento indiscriminado de nomes na praça pública”, quando surgiram as primeiras notícias envolvendo gente dos meios financeiros no chamado caso “Monte Branco”, o mesmo caso que agora levou a buscas na casa de Medina Carreira.

Será que para o semanário SOL só os banqueiros devem ser protegidos de “tiros no escuro” isto é de fugas de informação?

Em Portugal, as fugas de informação por parte dos agentes da Justiça constituem um verdadeiro case study. Repare-se na sofisticação desta “fuga”:

Medina Carreira investigado DN 7 Dez 2012A “cacha” das buscas a cada de Medina Carreira é dada ao semanário SOL e ao Diário de Notícias na sexta-feira.

No mesmo dia, o Correio da Manhã é presenteado com outra “cacha” sobre o mesmo processo mas a pessoa é Manuel Vilarinho, mais de acordo com o perfil desse jornal.

Monte Branco Vilarinho CM

Medina Carreira reagiu com contenção, afirmando que continuará a comentar como até aqui, sem criticar jornalistas nem magistrados pela devassa do seu  nome. A estratégia é inteligente e preserva o seu estatuto de comentador, poupando também a TVI ao incómodo de ter um comentador à briga com a justiça.

Mas a devassa de processos judiciais e a falta de ética de quem no seio da Justiça alimenta impunemente fugas de informação sistemáticas, instrumentalizando selectivamente   jornalistas para servirem de correias de transmissão é absolutamente lamentável.

Também os responsáveis editoriais que se prestam a publicitar o que lhes chega  às mãos sem qualquer investigação própria, deviam  mudar de profissão porque o jornalismo não é profissão de fretes.

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