Publicidade descarada

A publicidade tem de ser inequivocamente identificada como
tal, qualquer que seja o meio de difusão utilizado.” (art.º 8.º, n.º 1., Código da Publicidade, sublinhados acrescentados no texto)

capas meo

A barra vertical contendo um conjunto de símbolos publicada este sábado, cortando ao meio o espaço jornalístico da capa de todos os jornais, remete para o anúncio publicitário da Meo publicado em páginas interiores dos mesmos jornais.

Não  há em qualquer das capas identificação desses símbolos como tratando-se de publicidade, sinal de que foi alto o  preço pago pela MEO.

Meo anúncioAbrindo os jornais, o leitor depara-se com os mesmos símbolos  inseridos numa página de publicidade à MEO, essa sim, identificada como publicidade.

MEOA inserção isolada dos símbolos, na capa dos jornais, sem menção da sua natureza publicitária explora a associação entre esses símbolos e a MEO.

Não chega a ser publicidade dissimulada porque é descarada. O leitor apercebe-se de que  aqueles símbolos estão ali por qualquer razão. Não sabe, a princípio, o que representam – numa primeira leitura talvez relacione com caracteres chineses (como ouvi comentar).

Os jornais estão em crise económica e necessitam de receitas publicitárias como pão para a boca. Mas nada justifica que o jornalismo não respeite regras básicas  como seja a separação entre conteúdos jornalísticos e conteúdos publicitários.

Actualizado:

O Público e o jornal i apresentam na caoa das edições  papel a menção publicidade (embora em caracteres minúsculos, no primeiro, a menção Publicidade e PUB, respectivamente.

2.ª Actualização:

Induzida em erro pelas edições online aqui fica a rectificação feira por Edgar Nascimento: “só para recordar a senhora que ainda não corrigiu este post no seu blogue. Os jornais O Jogo e Correio da Manhã colocaram a indicação de PUB nas respectivas capas, como aliás foi referido na altura neste mesmo fórum. Respeitosos cumprimentos”.

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6 respostas a Publicidade descarada

  1. João Saro diz:

    Não sei de onde veio a ideia que esses jornais não eram importantes. Apenas o post partiu do principio que todos os jornais não fizeram a identificação (porque raio não o fariam? intriga-me…), Entretanto dois afinal até tinham e um terceiro que me passou pelas mãos também tinha. Qual a ideia com que deva ficar neste ponto?

    Mas acho que não é preciso mais alongamentos sobre este tema… a minha opinião já ficou explícita, penso.

  2. Expresso, Diário de Notícias e Correio da Manhã, não identificavam a publicidade MEO na capa. Não são jornais importantes? Dois deles são só os mais lidos…

  3. João Saro diz:

    Ora bem:

    Se existe um problema formal e legal, é fazer queixa à autoridade competente.

    Estive há dias com um dos jornais desse dia e afinal tem sinalizado que é publicidade (PUB em cima da mesma) como é normal. E não eram apenas esses jornais, desportivos também tinham o tal PUB (pelos vistos, todos tinham até que se prove o contrário).

    Portanto, respeita a lei e o próprio leitor rapidamente associa a publicidade. Sobre o cortar a meio o jornal isso é da estratégia do mesmo… queixe-se ao jornal, mas também não percebo o choque. Fosse esse o problema dos media hoje em dia.

    Uma capa falsa já não levanta problemas? Apenas porque é mais fácil deitar para o lixo?

  4. João Saro, o “problema formal” a que se refere não é irrelevante. Se a lei obriga a identificar a publicidade é para ser cumprida.Porque é que a MEO preferiu “cortar” a capa a meio com a faixa de símbolos (sem o nome da marca) em vez de fazer uma “capa falsa” inteira como o anúncio que colocou nas páginas interiores? Simplesmente porque é mais eficaz “misturar os símbolos com a informação jornalística, é um fenómeno de “contaminação metonímica”.

  5. B.P. diz:

    Bem, ‘nulla quaestio’: há um ilícito (contra-ordenação)?
    Aplique-se a sanção (coima).
    Competência para agir, ERC? M.P., certamente…

  6. João Saro diz:

    «(…)Não chega a ser publicidade dissimulada porque é descarada. O leitor apercebe-se de que aqueles símbolos estão ali por qualquer razão. Não sabe, a princípio, o que representam – numa primeira leitura talvez relacione com caracteres chineses (como ouvi comentar).(…)»

    Este seu parágrafo explica que o problema que levanta é apenas e só formal. Todos percebem que é publicidade (não são os símbolos, são as cores sobretudo). não estando identificado o efeito prático acaba por ser o mesmo, portanto ter um “PUB” ali em cima não vai alterar o efeito com relevância.

    Ou percebi mal a intenção do post ou com tantos outros exemplos acabo por não perceber a importância deste.

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