Os telefonemas de Marcelo

Em Portugal um político que se preze tem de fazer a si próprio a seguinte pergunta: será que o professor Marcelo me vai telefonar este Domingo?

Explico melhor:   Marcelo está a refinar o seu comentário político na TVI. Ao contrário de Marques Mendes, que semanalmente dá notícias “de corredor”  sobre o que o governo projecta  fazer nas semanas seguintes sem citar  fontes, situação  que levou o dirigente do CDS, Pires de Lima, a pedir ao governo que demitisse quem passa informação a Marques Mendes, sugerindo que as fugas provêm de quem está no Conselho de Ministros – Marcelo é mais transparente: telefona para as suas fontes e informa os telespectadores da TVI sobre o que elas lhe dizem. 

Marcelo bebe do fino. Fala com os que contam, com os próprios: Mendes fala com os intermediários, talvez com algum ajudante.

Este domingo, Marcelo informou que telefonou ao novo secretário de Estado, Franquelim Alves, para ele lhe explicar a embrulhada do BPN.  Ficámos a saber, pela boca do professor,  que Franquelim  entrou na SLN em Janeiro de 2007, sendo que não tinha o pelouro financeiro da empresa. Em Março e Abril desse ano “começam a descobrir as ‘offshores’” na companhia, “comunicam ao Banco de Portugal” e saiu do banco poucos meses depois. “Logo que tive conhecimento [das ‘offshores’] insisti para que se comunicasse ao Banco de Portugal”, terá dito Franquelim Alves a Marcelo. Franquelim convenceu o professor  que, por sua vez, terá convencido alguns dos que o escutavam. Missão cumprida.

Marcelo também telefonou a António Costa para “ouvir a sua explicação”  e “esclarecer qual tinha sido a estratégia do actual presidente da câmara de Lisboa”. Apurou que a iniciativa de António Costa em ameaçar concorrer à liderança do partido nada teve a ver com o que disseram os “socráticos”. E sobre Seguro, Marcelo conclui que “ganhou esta jogada”, fazendo o que é “especialista: um artista de vitimização”.

É o que se chama, spin ao mais alto nível! 

Mas há uma questão que resta: Algum jornalista falou com Franquelim? Franquelim aceitou responder a perguntas dos jornalistas? 

E algum jornalista “arrancou” a Costa confidências sobre os  “socráticos”?

O futuro do jornalismo também se joga nestes pormenores…

 

 

 

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