A vacuidade dos debates quinzenais

Os debates quinzenais na Assembleia da República com a presença do primeiro-ministro transformaram-se naquilo a que Katz e Dayan chamam a “diplomacia do gesto” para caracterizarem os momentos e os eventos em que os actores políticos tentam “dar sinais” para os seus povos,  para os seus apoiantes e  para o mundo.

Os debates quinzenais são um pouco isso: obedecem a um conjunto de regras e gestos que se repetem constituindo-se em autênticos rituais de comunicação política. A teatralização das intervenções do primeiro-ministro e dos líderes da oposição são em geral vazias de substância valendo pelo espectáculo que fornecem para as câmaras de televisão.

Esta sexta-feira, o ritual confirmou a vacuidade em que se transformou a democracia parlamentar. O primeiro-ministro mais parece uma marionete recitando um discurso em que nem ele próprio já acredita, afirmando hoje o que negou ontem – afinal a espiral recessiva existe, afinal vai ter de rever as previsões para 2013 – atirando as culpas para os governos dos últimos 10 anos, lavando as mãos como Pilatos do fracasso das políticas de austeridade que impôs ao País.

Na oposição, Seguro atacou mais seguro que o costume, porém repetindo  acusações e citando  contradições do primeiro-ministro, oportunas, é certo – é sempre bom chamar Passos à razão e confrontá-lo com as suas mentiras – mas é tempo de atalhar de vez e com firmeza a demagogia das culpas do passado e confrontar Passos não apenas com o que ele prometeu e não faz mas também com o que o partido dele não deixou fazer quando era oposição.

Seria tempo de mudar o ritual e já que o primeiro-ministro não vai aos debates quinzenais para responder com seriedade aos deputados e explicar o que está a falhar nas suas políticas, nem reconhece o abismo em que está a lançar o País, ao menos que a oposição, pelo menos o PS, leve para o debate mais do que perguntas que ficam no ouvidos dos jornalistas mas não acrescentam substância ao debate.

Este relato do debate parlamentar desta sexta-feira, um entre outros,  é bem um retrato do que são estes debates qinzenais.  Ao menos, houve a Grândola Vila Morena.Grândola Vila Morena no Parlamento

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