O Expresso e a política de comunicação do governo, segundo o professor Marcelo

O professor Marcelo voltou hoje a criticar a política de comunicação do governo, a propósito não apenas do caso das “facturas” mas também  da manchete do Expresso deste sábado –  “Governo quer corte permanente nas pensões“. Marcelo afirmou que a decisão do Tribunal Constitucional (TC) sobre os cortes nas pensões não tem nada a ver com os cortes definitivos que, segundo o Expresso, estão em estudo no governo à espera da decisão do TC. Marcelo criticou a “fonte governamental”  que deu a notícia que, a seu ver, constitui uma forma de pressão sobre o TC.

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Marcelo tem razão ao criticar a “fonte governamental” mas não percebeu, ou não quis perceber, que o objectivo dessa fonte foi precisamente, por um lado,  pressionar o TC e, por outro, apresentar os cortes nas pensões como algo inevitável para cuja fundamentação, como diz o Expresso, “há argumentos que sustentam a intenção do governo”.

Como político que indiscutivelmente não deixou de ser, Marcelo poupou o Expresso na sua crítica, como se fosse coisa natural, a passar sem reparo, que um jornal com os pergaminhos do Expresso aceite publicar uma peça, fazendo dela manchete, baseada numa “fonte governamental” sem nome e sem rosto, para pressionar o Tribunal Constitucional. 

Ao contrário do que afirmou Marcelo, a estratégia de comunicação do governo foi, neste caso, conseguida, uma vez que não apenas representa uma indiscutível pressão sobre o TC como prepara funcionários públicos e pensionistas para os cortes que se propõe fazer-lhes.

Ao constatar que a peça do governo é uma pressão sobre o TC, como efectivamente é,  e ao criticar a “fonte governamental” nela citada, mas deixando sem reparo o facto de o Expresso ter aceite servir de mensageiro der uma “fonte governamental” mantendo-a no anonimato, o professor Marcelo minimiza o jornal, ao contrário do que possa parecer.

Porque as fontes governamentais ou outras podem sempre dizer o que quiserem. Mas para terem voz na capa de um jornal precisam de alguém com poder editorial que as ouça e lhes dê crédito. Não se duvida do crédito da “fonte governamental” que falou ao Expresso mas pergunta-se porque lhe foi permitido esconder-se dos leitores.

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3 respostas a O Expresso e a política de comunicação do governo, segundo o professor Marcelo

  1. Pingback: O spin do governo anda frenético | VAI E VEM

  2. zeca diz:

    Está na cara Agostinho Leite

  3. agostinho leite diz:

    Não podia concordar mais! Se o Governo “quer”, porque é que não o admite?!Por outro lado, que o Governo “queira” até não surpreende. Agora, que o Expresso lhe faça o jeito desta forma já dá que pensar. Como podemos pensar tudo, eu, por exemplo, gostaria de pensar na hipótese mais estapafurda de todas: que a fonte da noticia desta semana é o ministro que foi visado no ido caso dos espióes. Não era fantástico?!

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