A Procuradora-Geral não gostou da notícia

Eis a notícia do Expresso de 12 de Janeiro que, segundo os jornais, terá levado aos processos disciplinares a Cândida Almeida e a mais dois procuradores.Expresso 12 janeiro 2013

 

A Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, não gosta de violações do segredo de justiça e anunciou que as combateria logo no início do seu mandato. Dou-lhe razão. As violações do segredo de justiça servem quase sempre interesses obscuros da parte de quem viola e de quem beneficia da violação. E, sobretudo, atingem pessoas muitas vezes inocentes, numa fase dos processos em que não se podem defender. Quase sempre sabem pelos jornais do que são acusados, através, precisamente dessas violações. As violações do segredo de justiça e a promiscuidade entre operadores judiciais e jornalistas têm sido fatais para a credibilidade da justiça e do jornalismo.

Porém, a avaliar pelo que tem vindo a público, a Procuradora-geral  parece sobretudo não gostar que os jornais noticiem acções e decisões que a envolvam e que não seja ela própria a dar aos jornais. A notícia do Expresso, além de citar a própria Procuradora-Geral, cita uma fonte interna não identificada, que o jornal expressamente afirma que não quis ser identificada, que acrescenta pormenores à informação dada pela Procuradora-Geral.

Não se sabe se o que irritou a Procuradora-Geral foi o desplante de ver a sua informação acrescentada por um/a seu/sua subordinado/a ou se foi o facto de os pormenores “acrescentados” pela fonte anónima se referirem a assunto relacionado com o país-irmão, sempre tão temido, Angola.

Ou será que o que irritou a Procuradora-Geral foi a fotografia do Expresso em que aparece com “cara de má”?

Seja o que for, espera-se que tanto zelo com o controle da informação seja efectivamente cumprido quando estiver em causa a protecção da honra de pessoas inocentes ou  a responsabilização de culpados.

O melhor é aguardar pela transcrição das próximas escutas… Oops… esquecia-me que isso é para o Face Oculta, Freeport, Universidade Independente …, porque processos de “gente fina” são outra coisa!

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