SIC cobra na net: será que o feitiço se volta contra o feiticeiro?

“SIC cobra para ver programas na net”, assim diz a notícia, citando José Freire, administrador da Impresa, dona da SIC, referindo a  título de exemplo os programas ‘Perdidos e Achados’, ‘Grande Reportagem’, ‘Quadratura do Círculo’, ‘Negócios da Semana’, ‘Sociedade das Nações’, ‘Expresso da Meia-Noite’. A partir de agora, para ver estes programas  nos sites da SIC tem de se fazer uma chamada telefónica, com o custo de 0,60 euros, mais IVA, para desbloquear o acesso.

Pode ser que a medida dê resultado mas não me parece. De facto, para ver esses e outros programas emitidos pelos canais do grupo Impresa, os cidadãos já pagam o acesso à Internet. A SIC devia antes atrair visitantes para os sites dos seus canais favorecendo o visionamento de todos os seus conteúdos em vez de obrigar as pessoas a pagarem. É que os anunciantes querem estar onde estão  pessoas e na internet as pessoas são os visitantes que acedem aos sites.

Acresce que os visitantes dos canais da Impresa que costumavam procurar na net os programas que agora vão ser pagos, passarão a organizar-se para os verem em directo, ou nos horários das repetições, ou gravando-os previamente. E, a pouco e pouco, afastar-se-ão dos sites dos canais do grupo.

Por outro lado, é hoje frequente as edições electrónicas dos jornais divulgarem imediatamente as informações relevantes produzidas em alguns dos programas que a SIC vai bloquear.

Além de  ser possível acompanhar um debate pelo Twitter ou pelo Facebook, através de citações e comentários ao  que é dito nesses programas, susceptíveis de os tornarem  bastante “visíveis” e “audíveis”. Aconteceu isso comigo na última Quadratura, que perdi devido à mudança de horário. Dando disso nota no Twitter, logo fui informada das reacções de Pacheco Pereira, Lobo Xavier e António Costa aos incidentes com Relvas no ISCTE manifestadas nese programa da SICNotícias.  É apenas um exemplo do absurdo que representam certas reacções radicais que acabam por voltar o feitiço contra o feiticeiro.

Em minha opinião, conteúdos pagos só se  justificam  se acrescentarem algo novo e de qualidade ao que é emitido na programação pela qual os cidadãos já pagam por outros meios.

Já no caso  dos jornais a questão se apresenta diferente, uma vez que quando alguém compra um jornal pode lê-lo em qualquer altura. Mas se não o compra e prefere lê-lo noutro formato então justifica-se que pague para isso.

Seria irónico que os empresários dos media fizessem como o governo: quando querem equilibrar as contas e aumentar as receitas penalizam os cidadãos sem lhes proporcionarem qualquer  benefício, por exemplo conteúdos de excelência, antes lhe  retirando algum pequeno benefício que eventualmente lhes reste.

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