Perguntas para os dias que correm…

Os dias que correm não chegam para tantas coisas a acontecerem ao mesmo tempo: A troika está em Portugal; a Itália  entre dois palhaços – um profissional do humor e um profissional da bandalheira;  o Papa a despedir-se perante milhares de pessoas chorando ou em êxtase; Passos vaiado, como símbolo de um primeiro-ministro formatado pelas troikas que governam a Europa, acossado por estudantes exibindo uma vara com um coelho enforcado  na ponta …

O que ligará todos estes acontecimentos?  Porque acontecem ao mesmo tempo num mesmo ponto do mundo – uma Europa à deriva, sem rumo nem liderança?

Porque é que tantos aplaudem e choram o afastamento voluntário do Papa, cujo “reinado” fica ferido por escândalos de corrupção e de sexo, ao mesmo tempo que exigem o afastamento de  governos também eles feridos pelos mesmos ou por outros “pecados” e escândalos?  Porque é que os escândalos do Vaticano não afectam os fiéis  que choram pelo Papa na hora da despedida?

Porque é que um país – a Itália –  governado por um tecnocrata não eleito, a quem todos elogiavam o rigor e o saber, preferiu  humilhar esse tecnocrata e dividir o seu voto entre  duas figuras de opereta, deixando o país ingovernável? Será um protesto contra a austeridade que o tecnocrata lhe impôs? Ou será antes o regresso da política na sua dimensão burlesca?

Porque é que em Portugal o protesto contra a austeridade se manifesta  em canto e em Espanha e na Grécia em violência? Será que os 48 anos de salazarismo ainda pesam  na nossa capacidade de sofrimento perante a iniquidade de uma austeridade cega,  imposta por credores falsamente amigos, através de um governo submisso que só chegou ao poder porque usou a mentira para esconder a ambição?

Porque é que só falamos e não decidimos? Porquê tantas perguntas e tão poucas respostas?

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2 respostas a Perguntas para os dias que correm…

  1. O povo português é muito diferente do povo espanhol, italiano, francês, entre outros povos dos países membros da União Europeia. Acho que comparar estas culturas, pode trazer vantagens, mas nunca deveríamos comparar a atitude de um povo com a do outro. A forma de revolta de um povo é na maior parte dos casos diferente de um outro povo. E por muito mais que eu me sinta Europeu, acho que não sei nada para além da História Ocidental de outros países Europeus. Nunca me achei semelhante a um Espanhol, pelo contrário, bem diferente! Mas com um Galego tenho mais semelhanças! O Italiano para mim é tão estrangeiro como um Islandês! A língua materna Latim dá-nos uma base, no entanto não devemos esquecer que só a França realmente pode sentir o que nós de outra forma sentimos, como povo português, Lusitano conhecedor do Atlântico, povo virado ao Oceano e não ao Mar, povo com uma história longa e um passado rico e profundo. Durante séculos O Povo Português Canta por desgosto,por amor sente na Alma, e de forma discreta, como sempre foi, conquistador e confiante, acredita num melhor futuro cantando. O Fado é também um exemplo para este caso! Tal como a Música Tradicional Portuguesa, ou ainda podemos ir mais longe, com o nosso período Barroco e Medieval na Música Erudita! O Português sabe esticar bem a corda, mas quando a corda rebenta, rebenta de vez! É melhor continuarmos bem atentos, mas sem dúvida não há Terra sem limites!

  2. ribeiro diz:

    É isso mesmo. Porquê? onde estão os democratas e os cidadãos livres? Parecem não existir.
    Talvez um Povo adormecido pelo domínio capitalista dos meios de comunicação como CM, o SOL e as Tvs.

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