Quem paga a banda encomenda a música: a onda vermelha na capa dos jornais

jornais vermelhosA onde vermelha da Vodafone invadiu os jornais desta quarta-feira, à excepção do Diário Económico (DE). Não sei se foi o DE que não aceitou a publicidade ou se foi a publicidade que excluíu o DE. Seja como for, o DE fez a diferença, pela positiva.

Bem sei que os jornais se debatem com dificuldades financeiras e que o mercado dos jornalistas é escasso. Há cada vez menos postos de trabalho nas empresas de média e os despedimentos são uma realidade. Um novo modelo de negócio tarda em mostrar capacidade para substituir o anterior.

A campanha da Vodafone deve ter sido valiosa para os jornais. Imagino que nas redacções a discussão tenha sido enorme e que não tenha sido fácil a algumas delas aceitarem  ceder o seu espaço mais nobre – a capa do jornal – a uma marca comercial. Para mais, todos iguais, objectivamente, uma “violação colectiva”, uma espécie de “assalto ao convento”, quase uma profanação.

Sei também que as direcções comerciais e de marketing das empresas jornalísticas  possuem cada vez maior capacidade “negocial” junto das redacções para invadirem o espaço jornalístico. Como diz o povo, “quem paga a banda encomenda a música”. A música foi desta vez  o fundo vermelho da capa dos jornais.

Talvez fosse possível aos directores terem feito “cartel”, associando-se na recusa em cederem a capa dos seus jornais. Se todos recusassem em troca de uma proposta menos invasiva, o anunciante não teria alternativa.

Por isso, à força ou por vontade própria, o Diário Económico foi esta quarta-feira o único jornal a encarar os leitores sem “corar”….na verdadeira acepção da palavra.

(A fotografia dos jornais é do  jornalista Duarte Miguel Lêdo Valente)

 

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2 respostas a Quem paga a banda encomenda a música: a onda vermelha na capa dos jornais

  1. André diz:

    Aquilo que se passou é ilegal.

  2. jose neves diz:

    Pensava eu que o título se referia ao “Maior raid de sempre a 15 bancos por suspeitas de concertação de preços” e, aí sim o título teria uma conotação adequada.
    Contudo o Vai e Vem descobriu uma (in)colorida ligação comercial à Vodafone. A mim parece-me que o título condiria perfeitamente com o organizado, mediatizado e espalhafatizado raid. E, pasme-se à procura de provas de “combinação” de custas dos serviços bancários. Ó santa ingenuidade, eu diria ó santa mistificação e cortina de fumo para despistar o zé povinho: vejam, vejam bem que a impunidade também chega aos bancos, ninguém está imune à impunidade.
    Este raid mistificador contém à máusea essa mensagem justiceirista. E neste caso, quem pagou o luxuoso congresso para justicialistas de fachada e garbosas esposas foram os bancos que agora encomendaram esta encenação para desmontrarem ao zé pagode quão honestos são.
    Ó meus, então querem documentos acerca de acordos que jamais foram, são ou serão escritos? Só ingénuos que nunca andaram por dentro do mundo real papam tamanha patranha de haver papeis sobre “cambões” e chapeladas”. Os patrões banqueiros que encomendaram o serviço e os agentes que o executaram devem estar a rir e beber à grande pelo exito da manobra.

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