Post dedicado aos críticos do investimento em auto-estradas

Fiz a minha estreia a viajar pelo interior do País num autocarro da rede Expresso. Havia greve na CP e eu tinha um compromisso. Não gosto de conduzir na estrada (maus hábitos) pelo que costumo viajar no Alfa ou no Intercidades. Ultimamente, porém, comecei a detestar o combóio. É que abana tanto que não consigo ler nem escrever,  fico logo enjoada às primeiras tentativas. Vou ouvindo música e, quando a viagem é de manhã, os debates nas rádios dão para entreter. Fecho os olhos  enquanto o tempo passa, às vezes adormeço, outras não. Vou até ao bar, tento uma vez mais ler o jornal mas os carris devem estar de tal modo que nem dá para ler duas linhas por causa da trepidação.

Por isso a greve dos combóios calhou-me bem. Descobri o encanto da rede Expresso. Lisboa-Covilhã, só 3 paragens: 15 minutos em Castelo Branco, mais cinco no Fundão e outros tantos em Belmonte. Em  auto-estrada quase todo o trajecto, paisagem severa, chuva intensa, a Beira Interior em toda a sua grandeza e esplendor. 

Havia pouco movimento, dizem os críticos do investimento público em auto-estradas, queixando-se do dinheiro que se gastou em auto-estradas  para meia dúzia de carros por dia. Pois… mas a verdade é que havia  autocarros cheios de passageiros no terminal, à chegada e à partida. E não era apenas por causa da greve. São pessoas de todas as idades e profissões que precisam de se deslocar e não têm outro meio de o fazer senão usando o autocarro. Não chegam para encher auto-estradas em número que satisfaça os críticos desse investimento?

Talvez esses pensem que quem vive ou vai a Bragança, Vila Real, Chaves,  Braga, Viseu, Castelo Branco, Covilhã, Guarda deve fazer viagem por estradas secundárias,  demore o tempo que demorar. Talvez pensem que as auto-estradas são só para  potentes Mercedes, BMW, Jaguares, ou para comitivas oficiais com seguranças a abrirem caminho…. Talvez pensem que o investimento público não é para o “povão” andar de autocarro….

Os críticos do investimento público talvez achem até que os autocarros da rede Expresso são demasiado bons para o “povão”. Têm ar condicionado, as cadeiras são confortáveis e têm cinto de segurança, janelas panorâmicas, música ambiente, enfim, são confortáveis.

E que lindas estão as nossas terras do interior! Dá para ver que, como dizia o presidente que viajava pelo país em presidências-abertas, “o poder local foi uma das maiores conquistas do 25 de Abril”. Hoje dizem que os autarcas são corruptos, não sei, mas lá que fazem obra, fazem. Vê-se quando passamos ou ficamos lá…

Gostei de viajar na rede Expresso e vou repetir a experiência até que alfa e o intercidades  voltem a andar direitinhos…

Actualizado:

 Esta peça da jornalista Célia Domingues, publicada no Jornal do Fundão, ajuda a perceber  o que escrevi no post acima, apenas inspirada pela sensibilidade e pela experiência daquela viagem.

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5 respostas a Post dedicado aos críticos do investimento em auto-estradas

  1. Maria Ferreira diz:

    Do texto o que mais me chamou a atenção foi a referência à má qualidade das viagens de comboio no “intercidades” da Beira Baixa. O bilhete de comboio/intercidades é 20% mais caro e demora mais 15 minutos do que o bilhete de autocarro/expresso. Quanto à viagem, desde a recente alteração das automotoras (a CP “recuperou” carruagens velhas com dezenas de anos de utilização e usadas em comboios de curto curso e colocou-as ao serviço da Beira Interior) que a trepidação e o ruído tornam impossível ler ou até mesmo usar o computador sem ficar enjoada. Resta a paisagem, que essa sim, lá continua.

  2. Belo texto, Lídia, obrigada…:-)

  3. lidia sousa diz:

    interessante resposta da B.P, SERÁ A GASOLINEIRA, talvez não. Estrela Serrano falando em auto estradas, descreveu um percurso que foi feito tambem por estradas. No que me diz respeito, por opção comprei
    uma casinha no Alto ALENTEJO, que adoro. Vou sempre de EXPRESSO, para ver as paisagens maravilhosas. Tenho 2 opções: por Abrantes, onde a certa altura entro numa auto estrada e outra que me agrada mais, por Ponte de Sor, onde não há auto estrada mas uma belissima estrada. Chegada a Ponte de Sor, corto à direita para Gavião, vou vendo aldeias lindissimas até passar por MARGEM, ou Vale de Gaviões, casas branquinhas, com tarjas azuis e de outras cores, até chegar à minha velha casinha em Vale da Vinha, com um sótão amplo e um terraço com vista maravilhosa para o Monte. Abençoado dinheiro investido em estradas e auto estradas, pois trabalhei muitos anos na Moda e tinha de ir mandar fazer lanificios na Covilhã, Manteigas (terra do Alçada Gaspar) e era um terror enfrentar aquela estradas incriveis onde todos os dias perdiam a vida pessoas e perdia-se um tempo infindável para chegar a qualquer lado e não foi há seculos, foi há menos de 30 anos. Por isso BP não chore alto ou baixinho porque pode sair gasolina dos seus olhos e é pena porque parece ser Portuguesa e as Portuguesas têm olhos lindos. Na vida nada é gratuito, senão pagarem os contribuintes pagam os impostos. TAL QUAL COMO NA SUA CASA, senão tem dinheiro tem de ir pedir o banco e pagar os Juros. oui então fica na idade da pedra, com uma candeia de azeite, como os nossos antepassados. Quando a CEE nos incitou a gastarmos e investirmos, todos achamos bem. Quando o Lemhon Brothers abriu falência na AMÉRICA, explodiu o lixo tóxico por todo o Mundo. Quando a UE mandou o governo espalhar dinheiro na Economia para evitar a deflacção, assumiu uma posição e depois nega-se a assumir s suas responsabilidades de ter mudado a politica em 6 meses: AGORA ESPALHA O DINHEIRO, SEIS MESES DEPOIS AGORA CORTA TUDO. São criminosos, o Durão, o VAN RAMPLOY, o ecofin e todos os que planearam isto para mudar a politica para o Néo liberalismos, porque aqui não há inocentes, há só vitims que são os povos que perdem tudo ao sabor das marés, talqual uma ALFORRECA como descreve o João GONÇALVES DO BLOG PORTUGAL DOS PEQUENINOS, ao descrever o carácter do candidato a 1º Ministro Passos Coelho, em 05.07.2011 e 9 meses depois foi nomeado adjunto do RELVAS. Parece que não mas está tudo ligado. Obrigada Doutora Professora Estrela Serrano por me deixar escrever aqui estas tonterias, pois nâo a posso tutear, por não a conhecer pessoalmente.

  4. André diz:

    @ BP: o custo anual das PPP’s todas é 0.2% do PIB. Dessas as PPP’s Rodoviárias (Brisa, Ascendi etc) não chegam a ser 30% Desses 30% se houver desvios ou situações abusivas são no máximo de 15%!!!
    Ou seja é isso o brutal encargo que está a pagar? Acha que só “estradas” é mais barato? E a quantidade de mortes na estrada que parecíamos a Albânia? Quanto representa isso em cuidados médicos e recursos de 1ºs socorros? Quanto representa a perda de uma vida em que o estado através da educação etc investiu milhares de euros? Também era mais barato? E os custos de circulação também eram mais baratos? Acho que devia chorar mas pela sua insensibilidade e douta ignorância!

  5. B.P. diz:

    Vivi toda a vida no ‘interior’ e tenho 64 anos…
    E não estou encantado com as auto-estradas. Além destas, havia… estradas (as novas vias podem ser… estradas, não auto-estradas).
    Nada contra auto-estradas, havendo dinheiro para elas (o problema é que, parece, não havia). Tanto assim que estamos pagando o que era suposto ser gratuito, aliás o que pagamos – ao que julgo saber – é apenas 1/5 do que o Estado paga aos donos das auto-estradas, perdão, aos parceiros privados…
    Com tudo isto, diz-me Estrela S., que eu devo rir em vez de chorar, ou pelo menos que devo chorar… mais baixinho? Ora, ora…

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