Os directores são uns “cagarolas”, diz Belmiro de Azevedo

Belmiro de Azevedo entrevista” (…) Vamos fazer-lhe uma pergunta aberta:
qual é o futuro do PÚBLICO?
Hoje, 50% do custo de ter o PÚBLICO são remunerações
dos jornalistas, mas 100% da decisão
do PÚBLICO é dos jornalistas. No projecto inicial
que me foi “vendido”, a Sonae aceitou um
modelo, que não quer mudar, mas vai ter de
mudar, em que se deu importância excessiva
ao jornalista. O jornalista que é o dono da peça
acha que tem o direito de dizer as asneiras
que quer.

Senhor engenheiro?!
… Espere lá, se quer que eu diga o que penso,
porque este problema tem de ser resolvido.
Outra coisa é que os directores são uns cagarolas
e cada vez que um quer mexer numa peça é
automaticamente acusado de censura. Ainda
recentemente aconteceu na TVI. A única maneira
de os jornalistas poderem ter a razão do
seu lado é assumirem a responsabilidade penal
e material das suas asneiras. Neste momento,
não é assim. O proprietário paga a multa e sofre
o impacto todo de imagem. Escrevem-me muito
a chatear por causa dos artigos.

Por vezes sem razão…
Às vezes, não têm. Mal fora que tivessem. Para
se poder ser director, tem de se ter capacidade
de alterar ou de não publicar uma peça. De
outro modo, não se pode ser director.

Mas os directores e os editores intervêm
muitas vezes nas peças. Preocupa-o
mais essa questão ou o quadro geral do
negócio?
Uma coisa vai com a outra. São 23 anos… Temos
um programa e gostaríamos que a outra parte
[os jornalistas] o respeitasse. Em 2014, 2015,
em princípio, [as receitas da] edição online
ultrapassa a edição impressa e ao longo desse
período haverá um crescendo da circulação
[paga] que hoje é ainda pequeno. Admite-se
que nesse período se chegue a uma situação
de equilíbrio económico ou financeiro. Mas é
preciso corrigir o equilíbrio de poderes.

Sempre que pode, deixa claro que os
jornais devem fazer investigação…
… Bem feitas, profundas, contar tudo.

… numa investigação correm-se riscos.Qual é o jornalista que confronta poderes, às vezes poderosos, políticos e económicos, se tiver de assumir o risco material de uma acção?

Há sempre uma bola de escape. Se ele sente
que não está muito próximo dos 100% da verdade
e que vai sair um artigo de risco e que
desse artigo vai sair um ataque violento contra
o grupo, então não deve ousar publicar sem ter
a cadeia toda a apoiá-lo.”
(…)

(excerto da entrevista de Belmiro de Azevedo, à revista 2, da edição deste domingo, do Público)

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3 respostas a Os directores são uns “cagarolas”, diz Belmiro de Azevedo

  1. Pingback: TVI: uma redacção pejada de “figuras” | VAI E VEM

  2. redbull1710 diz:

    Belmiro de Azevedo disse a verdade…os Directores e a maior pate dos jornalistas são uns cagarolas a viver á sombra de quem lhes pague os sonhos de artista,,,vamos a ver o que acontece assim que Belmiro lhes retirar a protecção dos prejuizos pagos….

  3. ECD diz:

    Rimando com cagarolas, o Eng Belmiro de Azevedo é um gabarolas!

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