Não há almoços grátis: pouco sabemos sobre o que leva António Borges a correr em socorro do governo.

António Borges RRAs declarações de António Borges à Renascença, defendendo que “o ideal era que os salários descessem como aconteceu noutros países como solução imediata para resolver o problema do desemprego”, continuam a ser tema de comentário nas televisões. Ainda há pouco, os jornalistas que dão notas aos políticos às segundas-feiras, na RTP1, lhe deram “nota” negativa.  Aliás, a quase generalidade dos comentadores considera que essas declarações criam problemas ao primeiro-ministro e que António Borges presta um mau serviço ao governo.

Eu discordo dessa análise e penso que mesmo afirmando que fala em nome pessoal, como foi o caso desta vez, António Borges está concertado com o primeiro-ministro ou com o ministro Relvas quando faz declarações públicas sobre assuntos quase sempre, por sinal, de extrema delicadeza e embaraçosos para o Governo, como escrevi aqui e aqui.

De facto, as suas palavras sobre o salário mínimo funcionaram como um amortecedor das declarações do primeiro-ministro quando este disse, no debate quinzenal no Parlamento, que quando um país enfrenta um nível elevado de desemprego, “a medida mais sensata que se pode tomar é baixar o salário mínimo nacional, vindo a seguir, em Haia, emendar a mão.

Borges, o solícito conselheiro,  com as suas declarações radicais transferiu para a sua pessoa o “odioso” que antes caía  sobre o primeiro-ministro. Prestou, assim, mais um servicinho ao governo.

A incógnita aqui é saber porque é que António Borges, ex-número dois da opositora de Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite, se passou assim tão empenhadamente para o lado oposto. A única certeza é que não há almoços grátis e, na verdade, pouco sabemos sobre  o que leva António Borges a correr assim  em socorro do governo.

Perante declarações tão escaldantes como as que António Borges tem protagonizado – recorde-se a TSU ou os empresários portugueses ignorantes – temos a tentação de “parar” nelas. E, no entanto,  o importante é tentar perceber porque é que elas foram proferidas e o que move o seu autor. Porque, vendo bem as coisas, sendo  António Borges um simples conselheiro do governo, como muitos outros, porque é que valorizamos o que ele diz?

No fundo, todos intuímos que há algo por explicar sobre as intervenções de António Borges.

 

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Uma resposta a Não há almoços grátis: pouco sabemos sobre o que leva António Borges a correr em socorro do governo.

  1. MCS diz:

    O “algo por explicar” é simples: tal como a cascavel abana os guizos para distrair a presa, atacando no lado oposto, o Borges tem a mesma função dos guizos, distrair as atenções dos ataques do “governo”.

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