O Papa Francisco derrubou um tabu dos jornalistas

jornalistas aplaudem Papa FranciscoQuando vi nas televisões o encontro do Papa Francisco com os jornalistas que cobriram a sua eleição, reparei que se ouviam e viam muitas palmas. Vi também que havia muita gente naquele encontro, incluindo padres e crianças.

Algumas notícias chamaram ao encontro “conferência de imprensa” e achei estranho que numa conferência de imprensa, mesmo tratando-se do Papa, os jornalistas batessem palmas.  Lembro-me de ocasiões, por exemplo na altura dos discursos do vencedor e dos vencidos  em noites eleitorais,  os seus apoiantes, presentes na sala de imprensa, aplaudirem esses discursos, o que causa  incomodidade e provoca críticas dos jornalistas que ali se encontram para cobrirem os discursos e questionarem o vencedor e os vencidos.

Verifiquei que nos jornais de hoje, a jornalista do Público, Teresa de Sousa, também anota as palmas dos jornalistas ao Papa Francisco:

Que me lembre, houve nos últimos anos dois momentos em que os experimentados e cépticos jornalistas europeus (e de outras paragens) bateram palmas no fim de uma conferência de imprensa. Espontaneamente e sem remorso. Na primeira conferência de imprensa do Presidente Obama, quando, em Abril de 2009, veio a Londres participar na sua primeira cimeira do G20. Ontem, no final do encontro do novo Papa com os jornalistas que cobriam os últimos acontecimentos do Vaticano.” (Teresa de Sousa, link reservado a assinantes)

Procurei noutros jornais e no Diário de Notícias a correspondente no Vaticano, Manuela Paixão, regista o encontro numa crónica intitulada “Falou-nos como um Pai”. A jornalista descreve o encontro com alguma emoção: “De pé, comovidos, continuávamos todos aplaudindo Francisco, conquistados pelo seu sorriso, as suas palavras, os seus silêncios…falou-nos como um Pai, um líder. As lágrimas corriam silenciosamente pelos rostos, enquanto se gritava: Viva o Papa”. Mais adiante, a correspondente do DN cita o padre Frederico Lombardi, porta voz do Vaticano: “este é um sinal de gratidão pelo trabalho dos jornalistas (…)  que “não é uma conferência de imprensa mas uma saudação deste Papa”.

Achei interessante registar o facto, uma vez que os jornalistas têm como pedra-de-toque não exteriorizarem emoções, nomeadamente através do gesto físico de bater palmas, perante discursos ou declarações de figuras públicas, sejam  políticas ou mesmo da Igreja.

De facto, não é vulgar ver jornalistas  em encontros, formais ou informais, para que são convidados ou convocados, na sua qualidade profissional, aplaudirem os oradores. Como, aliás, também não é vulgar as suas famílias serem convidadas a acompanhá-los a esses encontreos. O Papa Francisco parece, assim, ter quebrado alguns tabus do jornalismo.

Vai ser interessante verificar até quando vai durar o “estado de graça” do Papa Francisco e  perceber se os seus gestos e as suas palavras, que parecem ter “tocado” os jornalistas de maneira indelével, representam algo mais do que uma emoção momentânea…

Os líderes políticos vão ter muito que aprender com o Papa Francisco.

 

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2 respostas a O Papa Francisco derrubou um tabu dos jornalistas

  1. manuel ribeiro diz:

    alguém sabe quem é o autor da enorme escultura que se vê por trás do Papa ?

  2. José M. Baeta diz:

    A “esquerda” da Pátria continua tão jovialmente “jacobina” como no alegre ano de 1789. É obra!

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