Quando a troika era elogiada e venerada…

Portugal paga inicialmente taxa de juro de 3,25 por centoDepois de ler na imprensa deste sábado as reacções à conferência de imprensa sobre a sétima avaliação, que arrasam Vítor Gaspar e a troika, fui reler o que eu própria escrevi neste blog sobre os primeiros tempos após o “resgate”, em que a troika era amada e venerada por grande parte dos comentadores e jornalistas.

Maio de 2011:

“Logo que foi conhecido, o programa de ajuda a Portugal entusiasmou  alguns jornalistas e comentadores que afirmavam nunca ter visto, nem nos programas eleitorais nem nos orçamentos do Estado,  informação tão completa e objectiva: metas, prazos, tudo sistematizado e quantificado em escassas 34 páginas! Um verdadeiro  programa de governo para os próximos anos, diziam.

Lembrei-me também da euforia das televisões seguindo os homens da troika como se fossem estrelas de cinema e do ridículo de certas reportagens:

Abril de 2011:

 Nestes últimos dias dei comigo a desejar que os representantes das instituições euopeias que se encontram em Lisboa a preparar o plano de ajuda a Portugal não dominem a língua de Camões para não poderem ler os nossos jornais nem  perceber os telejornais e os debates televisivos do horário nocturnoAo menos que se limitem a ver os fotógrafos e as televisões que lhes fazem  “esperas” no aeroporto, na rua, nos hotéis, à  entrada do Ministério das Finanças, no elevador, etc.. Oxalá não  se  apercebam que a nossa imprensa anda a perguntar os preços dos quartos nos hotéis onde eles se hospedam e a querer saber se  ao pequeno almoço eles comem muesli com fruta ou sem fruta.”

E reli alguma coisa  sobre a história desses dias, como este artigo de Cristina Ferreira, no Público (Maio de 2012):

“O dia em que Sócrates pediu a Cavaco para o salvar da troika

17/05/2012 

“(…) O primeiro-ministro [José Sócrates] recusava pedir o resgate, que, acreditava, teria um impacto na economia devastador. O ministro das Finanças tentava chamá-lo à razão. O governador do BdP alertava para o risco iminente de default. Havia, por isso, que actuar. Foi o que fez Teixeira dos Santos. Ao final da tarde de 6 de Abril de 2011. Pouco depois, o primeiro-ministro rendeu-se. Eram 20h38. As TV interromperam os telejornais para emitir aquela que, porventura, terá sido a declaração mais importante da vida política de José Sócrates.”

 

 

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2 respostas a Quando a troika era elogiada e venerada…

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