Noite de facas longas

Entrevista Exclusiva com José SócratesA crer no que se lê e ouve, os jornalistas da RTP que vão entrevistar José Sócrates – Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves –  vão ter a vida facilitada. O mesmo relativamente ao entrevistado. É que está tudo definido.

Os primeiros passos vão ser: “Depois de entrar no edifício da RTP, a primeira etapa é sentar-se na sala de maquilhagem. Daí passará para o cenário onde às 21 horas – logo após o telejornal será entrevistado.”

Sócrates já sabe como deve vestir: “especialista em comunicação” aconselha-o na cor do fato e da gravata: fato escuro e gravata em tons de azul. O discurso deve ser claro, calmo e verdadeiro.:

Quanto aos dois jornalistas também devem ter em conta que Sócrates “fala por cima da pergunta, ignora-a para levar os temas para onde quer” e se o jornalista insiste, “há faísca”. É “agressivo, duro, muito duro. Tem um olhar intimidatório e feroz. Tem uma linguagem corporal muito forte”, o que  combinado com o facto de ser um “homem sanguinolento”, o torna um “entrevistado muito difícil”.

Também devem ler alguma coisa sobre tácticas de um jogador de rugby. É que Sócrates  “pega num assunto e pela sua resposta condiciona a questão seguinte. Ou seja, tal qual um jogador de rugby coloca a bola no terreno que lhe é mais favorável.” Para complicar “é muito inteligente e difícil de contrariar”.

Quantos à entrevista propriamente dita, os entrevistadores devem organizá-la em capítulos: 1.º. apresentação e explicação do regresso; 2.º identificação do inimigo principal (Passos Coelho, Cavaco Silva, António José Seguro); 3.º o estado em que deixou o País (aqui há muito material de preparação nos jornais e nos discursos do governo, sem esquecer o “desvio colossal”); 4.º resposta aos insultos que lhe têm sido dirigidos por alguns dos seus futuros “colegas” comentadores (com destaque para Morais Sarmento que lhe chamou “sem vergonha”); perguntas sobre a conta bancária (preço do aluguer da casa de Paris, propinas dos seus estudos e dos filhos, refeições, etc..) Se o tempo der para mais, ainda podem pedir-lhe para comentar o PEC IV, a Europa, enfim, coisas que não interessam nada à maioria das pessoa que o vão ver e ouvir.

E, já agora, deixo também  alguns conselhos  ao Paulo Ferreira e ao Vítor Gonçalves: não esqueçam de ter ali à mão, no estúdio, um domador de feras, para o caso de o “animal feroz” se descontrolar; uns óculos escuros para resistirem ao seu “olhar intimidatório” sem pestanejarem; bétadine e água oxigenada para o caso de o “sanguinolento” entrevistado começar a “sangrar”; e alguns agentes de segurança para a probabilidade de ele ter que ser preso após a entrevista…

Agora é só esperar…

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Uma resposta a Noite de facas longas

  1. Joaquim diz:

    Onde é que eu ouvi este comentário? Já sei, foi à jornalista Judite de Sousa. Mas concordo com o conteúdo do texto, devem ser feitas perguntas concretas e aqui também concordo com o exposto.
    Queremos a verdade.

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