A ópera-bufa

Desde que foi conhecida a decisão do Tribunal Constitucional o País mergulhou num espectáculo misto de circo e ópera-bufa, sem ofensa para os artistas destes  géneros. O país político e o país mediático proporcionaram, nas últimas horas, cenas deprimentes de hipocrisia e arrogância que se o assunto não fosse tão tão  grave seria de morrer a rir.

A ópera-bufa começou com o  Governo a dramatizar ao máximo a decisão do Tribunal Constitucional, como se não fosse previsível que algumas das normas teriam chumbo certo…

A “reunião extraordinária” do conselho de ministros, anunciada como se fosse  uma questão de vida ou de morte, e o suspense em torno da declaração final lida pelo porta-voz  foram um  flop, assim como a “reunião de emergência” pedida  ao Presidente da República, com Vítor Gaspar a reboque, ambos a entrarem, segundo os repórteres, pela “porta lateral” (Pátio das Damas de seu nome), seguida do comunicado da Presidência a dizer o mesmo que o Presidente já tinha dito ontem, isto é, que “o Governo dispõe de condições para cumprir o mandato democrático em que foi investido”, como quem diz não contem com ele  para demitir o governo. Foram autênticas “cenas curtas de um só acto”, próprias da ópera-bufa.

Mas o mais chocante foi a tentativa de  responsabilização do Tribunal Constitucional  feita pelo PSD e pelos comentadores apoiantes da maioria governamental, como se o governo estivesse acima da lei e Portugal fosse uma democracia de opereta.

Depois de falhar todas as previsões, de ter agravado todos os indicadores, de se  vangloriar de ir além da troika, de  impôr aos portugueses os maiores sacrifícios para nada, o governo e a maioria têm o descaramento de culpar  o Tribunal Constitucional pelo beco sem saída a que o País chegou.

Gaspar queria governar as finanças sem Constituição ou apesar da Constituição. A sua lei é a lei da troika. Passos Coelho viu nele a tábua de salvação para a sua impreparação e inexperiência. Sem ele como poderia mover-se nos complicados meandros das finanças e das relações com os parceiros europeus?. Entregou-lhe todo o poder. Não viu que o homem não servia para a missão que lhe estava a ser confiada.

Passos e Gaspar representam , de certa maneira, a figura do “servo trapaceiro” da ópera-bufa. Não o dizem mas querem ir-se embora e precisam de um bode-expiatório. Encontraram-no no Tribunal Constitucional.

O “velho avarento” da “opera-bufa, vive refugiado no seu palácio fingindo que não percebe,  assobiando para o ar e dizendo que está tudo a funcionar bem. Não quer que o incomodem.

Nesta ópera-bufa em que vivemos há dois dias não falta até a figura do “jovem fidalgo” bem intencionado, pronto para entrar em cena mas sem conseguir que o ouçam…

 

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Governo, Política, Sociedade com as etiquetas . ligação permanente.

2 respostas a A ópera-bufa

  1. Artur Penedos diz:

    PASSOS COELHO OFENDE REGIME DEMOCRÁTICO
    O regime democrático, ninguém ignora, sustenta-se na separação de poderes (cada Órgão de soberania tem funções bem definidas e todos contribuem para o seu equilíbrio) e sobrevive se todos assumirem as suas obrigações e competências.
    Na era cavaquista, o chefe de governo acusava os outros Órgão de soberania e até a Lei Fundamental, de serem forças de bloqueio e rematava com o slogan … deixem-nos trabalhar!
    Sabemos que Já foi advogada a suspensão da democracia durante uns meses!
    Agora chegou a vez de Passos Coelho ofender o regime democrático e a Constituição da Republica, culpando o TC da incapacidade do seu governo.
    Segundo ele, o Tribunal Constitucional, ao exercer o mandato de que está investido – Os efeitos das suas decisões visam garantir a segurança jurídica, a equidade e o interesse público e não os interesses de qualquer outro Órgão – criou um enorme problema ao país!
    Uma vergonha e uma demonstração de que convive mal com o regime democrático.
    Passos Coelho fala como se o autor do Orçamento não fosse o seu governo!
    O problema do país não é o Tribunal Constitucional, o problema é haver um governo incompetente e incapaz de fazer o país andar para a frente.
    O embuste de Passos Coelho não tem pernas para andar.

  2. Victor diz:

    Há mais um personagem que quer entrar na história. Trata-se de uma ridícula besta que recebe mensagens durante programas de televisão, e que faz gala disso. O referido personagem, destilador oficial de ódio do reino, não tem noção do ridículo. É curioso, que estando junto de jornalistas séniores não tenha havido um reparo, ou sequer, uma chamada de atenção gestual em estúdio. Um deles, ainda chegou a ensaiar a chegada de uma mensagem, mas deve ter tido um momento de lucidez. É gentalha desta, a par de Ricardos Costas e outros quejandos, que vão debitando nos nossos dias umas larachas a toda a hora. “Triste gente que não se manca”, mas que serve na perfeição os seus patrões.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s