Não se apagarão tão depressa os ecos desse momento vergonhoso e triste

Fotografia, Diário de Notícias

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Tão depressa não esqueceremos a imagem do primeiro-ministro entrando na sala da residência oficial pejada de câmaras e de fotógrafos, passo rápido, rosto fechado, lábios apertados, num misto de raiva e cinismo, correndo para o microfone, de olhos faiscando vingança, vencido pelo medo, disfarçado de grande líder, a ler umas páginas escritas para serem ouvidas em Berlim, Bruxelas e Nova York. E era vê-lo no final da leitura, quase a correr, como que a fugir dali para Belém, qual medricas incapaz de assumir sozinho a responsabilidade e as consequências de pela segunda vez ter apresentado um orçamento de Estado inconstitucional.

A reacção do primeiro-ministro ao acórdão do Tribunal Constitucional e dos comentadores que correram a manifestar-lhe apoio, envergonham Portugal e os portugueses. É  legítimo discutir e discordar da decisão do Tribunal mas o que se passou não foi isso.

O que se passou foi o espectáculo triste do primeiro-ministro de  um País democrático praguejando  contra a decisão de um órgão de soberania porque ele cumpriu as suas funções e decidiu de uma maneira que não agradou ao primeiro-ministro, deixando-o exasperado e cheio de medo de ser castigado pelos seus patrões da troika.

Em vez de usar a decisão independente e soberana do TC  como factor de credibilidade do País,  exemplo evidente de que Portugal ainda é um País onde a democracia funciona e que não perdeu a sua dignidade apesar do resgate, permanecendo um Estado de Direito, o primeiro-ministro lançou palavras envenenadas de ódio e rancor contra o Tribunal Constitucional.

Não se apagarão tão depressa os ecos desse momento vergonhoso e triste em que um primeiro-ministro ficou “nú” perante o País e foi a correr pedir socorro ao seu aliado conjuntural de Belém, implorando  uma palavra de confiança para ser ouvida pela troika. Logo vieram Barroso e o inefável ministro das finanças alemão,  o socorrista  de Gaspar, louvar a profissão de fé na troika e no memorando, feita pelo pobre coitado primeiro-ministro português. E o espectáculo continua, crescem as ameaças aos portugueses, anuncia-se a chegada dos troikanos, vem aí castigo, espera-se ao menos que não venha crime para não ser “crime e castigo”.

É difícil esquecer estes dias.

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11 respostas a Não se apagarão tão depressa os ecos desse momento vergonhoso e triste

  1. António Severino Sequeira diz:

    Estamos entregues á bicharada,são mesmo uma cambada de gatunos e eldrabões,quando o povo quizer isto chega ao fim, o 25 de ABRIL está muito proximo, que esperamos? força.

  2. A colocação de um freio nesta gente subserviente para a ” estranja “e déspota para o Pais, é imperativo nacional.

  3. Obrigada,sou de antes de antes do AO ..:-)

  4. Com ou sem AO90, “nu” grafa-se sem acento.
    http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/nu

  5. Manuel Loureiro diz:

    E não é que eles os dois, o Marcelo e o Bento, são conselheiros do Estado, ou seja, aconselham o PR.

  6. Manuel Loureiro diz:

    Não esquecer que o apalhaçado Marcelo e o inefável Bento consideraram bom o discurso do inenarrável Coelho

  7. António Melo diz:

    Muito bem observado. Aliás, que outra coisa esperar de um exemplar destes, de um energúmeno que representa tudo o que mais reles e vil a política portuguesa produziu ? E era esta a gente que vinha regenerar a sociedade portuguesa com a sua imensa superioridade moral e suprema competênmcia técnica ? E é este medíocre que sonha um lugar na História como o Messias que salvou Portugal ? Tenho para mim que este imbecil ponderou muito seriamente a demissão, conjuntamente com o aldrabilhas do Relvas e com esse tarado muito perigoso que faz as vezes de ministro das finanças; só não o fizeram porque os donos não deixaram: enquanto não acabarem de saquear a TAP, os CTT, as Águas e as empresas públicas que restam não se vão embora. Que vergonha, chamar primeiro-ministro a este tipo !

  8. Carlos Lopes diz:

    Que mal teremos feito, nós, os PORTUGUESES, para ter que levar com isto? Não merecemos políticos tão reles, duvidosos e gananciosos, como cavaco, coelho, e gaspar e outros mais.

  9. Antonio diz:

    filho da put………….

  10. Também foi o que mais me impressionou e custou digerir. o registo de vingança. O ar ressabiado.

  11. celeste martins diz:

    Até o Krugman está estupefacto e recomenda um NÃO peremptório às posições do des(governo).

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