Ninguém vigiou os swaps?

O escândalo que agora rebentou sobre os contratos swaps foi noticiado pelo Expresso em Janeiro deste ano, porém sem o destaque que  agora assumiu e sem que tenha provocado qualquer impacto. Na “classe política”, como sempre acontece em casos polémicos, começou o jogo do “passa culpas”.

Não vai faltar um inquérito parlamentar para entreter deputados e jornalistas  durante alguns meses com o espectáculo habitual dos directos televisivos das audições parlamentares. O governo tem interesse nisso, já que as atenções ficarão algum tempo ocupadas com o  assunto e menos focadas nos falhanços da governação. 

Mas no meio de tudo isto há uma reflexão a fazer: se o governo não tivesse substituído os dois secretários de Estado ligados à empresa Metro do Porto, a mais penalizada com os contratos swaps, será que teríamos sabido agora do real impacto desses contratos? Parece irónico que tenham sido o governo e a Inspecção Geral de Finanças, tutelada pelo ministério das Finanças, a chamarem a atenção para a verdadeira dimensão do problema.

Tal como aconteceu em 2008 com a  falência do Lehman Brothers, que ninguém conseguiu prever e evitar, incluindo o jornalismo americano conhecido pelo empenho que coloca no seu papel de “watch dog” da democracia, também entre nós, se não fosse a demissão dos secretários de Estado os contratos swaps continuariam  a ser conhecidos apenas de alguns. O governo “geriu” a divulgação  do assunto de acordo com as suas conveniências.

O jornalismo, sobretudo, o jornalismo económico, não devia falhar a investigação aprofundada e atempada destes casos, dando-os a conhecer antes  do calendário estabelecido para a sua divulgação oficial. O Expresso tentou, é certo, mas deixou que a notícia caísse e não lhe deu honras de primeiro caderno. Outros jornais, como o Público, fora divulgando o que iam apurando. Mas faltou iniciativa e investigação de fundo.

Também o Parlamento parece não acompanhar devidamente a gestão da “coisa” pública, limitando-se a reagir a factos consumados. E,  no seio das empresas, as comissões de trabalhadores têm, ou devem ter, acesso à gestão. Não falando já de órgãos de fiscalização de contas e conselhos gerais.  Ninguém deu pelo risco de tais operações?  Ninguém vigiou os swaps?

 

 

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3 respostas a Ninguém vigiou os swaps?

  1. Pingback: Sócrates, por Teixeira dos Santos | VAI E VEM

  2. B.P. diz:

    O Governo chamou a atenção para a dimensão do problema, como diz? Onde? Eu não reparei, erro meu?
    Pelo contrário: o Governo já se explicou quanto ao alegado buraco dos 3.000 milhões? Onde?
    O governo, sequer, justificou-se quanto a este rolamento (os membros do Governo dantes caíam, agora rolam…) dos secs.Estado?
    Será que ninguém repara, nem denuncia, estas omissões?
    Na verdade, o que eu tenho visto, em vez de explicações de quem tem de as dar – o Governo – são presunções, interpretações, pressuposições e innuendos (isto diz-se?) dos meios, mais nada.
    E parece-me escandaloso!

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