António José Seguro excedeu as expectativas

Congresso PSOs congressos partidários são rituais de comunicação politica que fazem parte da democracia. A televisão transformou os congressos partidários em espectáculos mediáticos, acompanhando-os em directo e em permanência nos seus canais informativos do cabo, transferindo para os locais dos congressos não apenas os repórteres mas também comentadores que acompanham os trabalhos em estúdios improvisados por onde desfila a elite dos congressistas. As bandeiras, o hino, as palmas, os abraços, a entrada apoteótica do líder rodeado de fotógrafos e câmaras de televisão são ingredientes desse ritual, que se repetem em cada congresso seja qual for o partido, dependendo  da sua força e representatividade porque delas depende também a importância que os média lhe concedem.

O congresso do PS esteve à altura do ritual e do espectáculo dos congressos anteriores. Pode dizer-se  que António José Seguro excedeu as expectativas daqueles que lhe recusam a capacidade de se afirmar perante o País e de congregar as sensibilidades e oposições internas.

Seguro fez um discurso substantivo, com ideias e propostas concretas, respondendo àqueles que  o acusam de não ter propostas e se limitar a falar de generalidades.

Os comentadores e jornalistas que antes o acusavam de não ter propostas concretas para o País, ou pouco ligaram às suas propostas ou afirmaram que eram “soltas”, preferindo fixar-se  na parte do discurso  a que chamaram  “política”, em que Seguro  pede  maioria absoluta e promete, mesmo que a venha a ter, coligações de governo, acordos parlamentares e parceiros sociais.

No final do Congresso, as perguntas dos jornalistas aos representantes dos partidos presentes mostraram até que ponto o jornalismo político está, ele próprio, contaminado pelas questões mais superficiais da política em prejuízo da substância e da exequibilidade das propostas apresentadas.

Foi quase patético ouvir os repórteres perguntarem aos representantes dos partidos se estavam disponíveis para integrarem uma coligação com um governo de maioria PS.  Como se essa fosse uma questão para “amanhã” ou como se o essencial do discurso de Seguro tivesse sido essa  declaração.

É certo que Seguro não precisava de ter incluído no seu discurso uma declaração que sabia que iria ser explorada, não só por ser inédita – maioria absoluta e coligação nunca se juntaram  em Portugal  – mas também porque é extemporânea e susceptível de causar  polémica até entre os membros que integram os órgãos que agora foram eleitos.

Seguro esteve bem em não fazer do Presidente o alvo do seu discurso. Isso desviaria as atenções das suas propostas e das suas críticas ao governo. Veremos se nos próximos dias os repórteres se dedicam ao fact-checking que se tornou moda sempre que um dirigente socialista apresenta propostas alternativas.

 

 

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