Gaspar não quer que o confundam com os políticos eleitos

Vítor Gaspar voltou ao dizer aos deputados da Comissão do Orçamento, Finanças e Administração Pública, em resposta a Ana Drago, do BE,  que não foi eleito coisíssima nenhuma. A afirmação foi feita no contexto da reunião da Comissão em que era suposto apresentar o Documento de Estratégia Orçamantal (DEO) e, em vez disso, se limitou a apresentar um conjunto de sliles em powerpoint.

O ministro Gaspar já tinha feito idêntica declaração em Março passado, dessa vez em resposta a um deputado do PSD. Decididamente, Gaspar não quer que o confundam com políticos eleitos. Sob a capa de um suposto rigor semântico, Gaspar revela uma profunda ignorância sobre o funcionamento de uma democracia representativa.

Em democracia, a legitimidade do Governo depende do voto dos cidadãos que em eleições livres elegem o partido que deve constituir governo. Na doutrina de Gaspar, só os ministros do PSD e do CDS teriam legitimidade para governar pelo que, para ser coerente, nunca deveria ter aceite o convite de Passos Coelho para integrar o governo. Também este devia ter já retirado as devidas conclusões da declaração do seu ministro, pura e simplesmente demitindo-o. Implicitamente, Gaspar recusa  a legitimidade que recebeu ao ser escolhido pelo líder do partido que ganhou as eleições.

Acontece porém que Gaspar está bem acompanhado: Passos Coelho também quer “que se lixem as eleições” e o Presidente acompanha-os quando diz  que as eleições não servem para nada, visto que, em sua opinião, com ou sem eleições não há alternativa às políticas actuais.

Estamos, assim, a ser governados por pessoas politicamente incompetentes que desconhecem regras básicas  da democracia e que nem sabem como é que chegaram onde estão. Percebe-se porque razão fazem orçamentos inconstitucionais e porque é que tratam os deputados da oposição, e da sua própria maioria, como idiotas úteis não lhes entregando a tempo e a horas documentos essenciais que têm de apreciar, como aconteceu hoje com o DEO que só lhes chegou depois de a Comissão Parlamentar em que seria discutido ter terminado.

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13 respostas a Gaspar não quer que o confundam com os políticos eleitos

  1. Pingback: Mário Centeno e os “politicões” | VAI E VEM

  2. Manojas diz:

    O problema é: Pode ele dizer que a sua legitimidade de ministro é semelhante a de um juiz do TC por ser nomeado e confirmado por orgãos eleitos?

  3. Vicente Silva diz:

    Amanhã vou matricular-me no ISCSP para aprender a interpretar a política à maneira filipina.
    Com umas equivalências à Relvas o “canudo” está no papo e o cargo de PM.à vista.

  4. o papa diz:

    Será que o Filipe quer ocultar o papel do Gaspar como funcionário do capitalismo selvagem?

  5. Andre diz:

    O Filipe pretende dar chazadas de interpretação e ciência política mas nao é capaz de alinhavar uma ideia acerca do post. Resume-se a uma serie de considerações pessoais envolvidas em linguagem a roçar o ordinário. É isso que se ensina no ISCSP?

  6. As declarações políticas estão, naturalmente, sujeitas a interpretações. E nessa interpretação cabe a avaliação da consistência dessas mesmas declarações.

  7. Raul César de Sá diz:

    Coitadinho do Filipe, triste comentário..
    Não liguei muito à frase do Gaspar, pareceu-me assim uma parvoíce próxima do mau humor. Mas com esse antecedente que refere , acho que tem razão. Faz parte do que é e ao que vem. Uma coisa é certa, aqui neste pais, nunca será eleito para coisa nenhuma.
    Nem o Passos Coelho.

  8. Bem sei o que Gaspar quis dizer, mas o facto de ele ter dito o que disse e como disse mostra que ele pensa que se pode ser ministro das Finanças e número dois de um governo democrático sem a legitimidade que lhe advém de a sua escolha resultar directa ou indirectamente através de eleições. Esse é que é, a meu ver, o equívoco de Gaspar. Ele não foi directamente eleito mas foi escolhido por quem recebeu um mandato dos eleitores para escolher o Gaspar e outros, tenham estes sido ou não directamente submetidos ao voto dos eleitores. Gaspar não é um simples tecnocrata, as suas opções financeiras são políticas ao contrário do que ele pensa(?) ou quer fazer-nos crer.

  9. Filipe diz:

    A política interpreta-se. Mas se quer saber onde foi eu digo-lhe, ISCSP.

  10. Falinas diz:

    O que Vítor Gaspar quis dizer é que ele foi convidado a integrar o governo, não fazendo parte de qualquer partido. Ou seja, o ele ser Ministro é apenas uma função que ocupa, é uma mera ocupação profissional de nada tem haver com eleições ou partidos, nunca foi a votos, não concorreu para o lugar para ser eleito, ao contrário de Passos Coelho ou Cavaco Silva que se candidataram a eleições e que foram eleitos para o cargo.
    O que não deixa de ter a sua dose de verdade.

  11. EGR diz:

    O seu post de hoje esta inteiramente correcto quer em termos factuais, quer analiticos.
    O pobre do Filipe é que não percebeu.

  12. Diga, lá, sábio comentador Filipe, qual é a escola onde você aprendeu política…

  13. Filipe diz:

    o que me parece é que quem quer que tenha escrito este texto é de facto politicamente analfabeto…. e adorei sinceramente a forma como o autor forjou também a informação de forma a deturpar totalmente o seu sentido e a sustentar a sua argumentação bacoca… Enfim, caro autor, vá estudar, política não é, de longe, o seu forte…

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