Lá se foi a última esperança

A estreia do ministro Poiares Maduro esta segunda-feira no Prós e Contras mostrou várias coisas:

– o  ministro escolheu um programa de debate e não uma entrevista para a primeira exposição mediática das suas ideias políticas, o que revela gosto pelo contraditório;

– a cartilha de Passos e Gaspar do “cumprir custe o que custar” foi assumida por ele com convicção;

–  aprendeu depressa os truques do pior da política ao afirmar que Portas na sua declaração deste domingo “disse o mesmo que Passos” dissera dois dias antes (aqui a assistência do Prós e Contras desatou a rir);

–  a sua teoria sobre o consenso, que expôs no Prós e Contras,  mostra que ainda não conseguiu que Passos  perceba o conceito. Vai ter que lhe marcar “trabalhos de casa”;

–  o empenho com que elogia o governo  tão pouco tempo decorrido entre a sua entrada no governo e o tempo em que o criticava no Facebook mostra que as suas convicções políticas são menos sólidas do que parecia.

–  quem esperava que o novo ministro viesse alterar alguma coisa na política substantiva do governo pode tirar o cavalinho da chuva: Poiares Maduro é inteligente, culto, simpático e dialogante. Mas sobre o País não está longe do pensamento de Passos, Gaspar e Merkel.

Em suma: lá se foi a última esperança.

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14 respostas a Lá se foi a última esperança

  1. Pingback: VAI E VEM

  2. O meu “monóculo analítico” sobre o académico Poiares Maduro é muito positivo. E tenho pena que se preste ao papel de acólito do governo.

  3. Pingback: Se Me Apoiares, Perduro! – Aventar

  4. É bom saber que quando a esperança falta a alguns há outros em quem ela nasce …

  5. Alexandre Carvalho da Silveira diz:

    Se Estrela Serrano perdeu a esperança em Poiares Maduro, então é mesmo um bom sinal. Porque aqueles em que E.S. sempre teve muita esperança, já sabemos o que foram capazes de fazer!

  6. José Couto Nogueira diz:

    Com certeza que o Maduro foi escolhido porque pensa como o Governo; seria suicida para eles, num momento complicado como este, escolher alguém que não fosse garantido nesse aspecto. Provavelmente o que estavam à procura era de uma pessoa ideologicamente gêmea mas que tivesse o jogo de cintura e a finesse para discutir nas entrelinhas, já que o tipo tractor (Relvas) só irritava o eleitorado. Nesse aspecto concordo com o Leal; esperar o quê? Um novo ministro não é sinónimo de política nova.
    Quanto à Isabel, uso-a como representante destas pessoas que passam a vida a bramar contra os grandes lucros de certas empresas em anos de crise. Isso é sinal que são bem geridas (aproveitam as vantagens que têm). Não é possível tirar os lucros das empresas para “dar aos pobres”, não é assim tão simples. O capital é muito mais móvel do que o trabalho e se não tiverem lucros simplesmente voam para a Holanda… Quanto às famigeradas PPP são financiadas, em última análise, pelos grandes investidores (grandes, mesmo) que também financiam a dívida soberana. Se considerarem que o Estado não cumpre os seus compromissos, irão dificultar os empréstimos internacionais.
    Por outro lado, também é verdade que o Governo tem sido muito mais leniente com as empresas poderosas do que com as pessoas e isso sim, devemos reclamar. Contudo, cinicamente, há que reconhecer que é ao dinheiro que os governos se dobram, aqui e, até, na China…
    Quem deveria ser processado são os intervenientes nesses negócios (PPPs, swaps), os escritórios de advogados portugueses, dos dois lados, e os governantes da época, que assinaram contratos leoninos. Talvez começando por aí fosse mais fácil chegar aos contratos propriamente ditos.

  7. O que eu nãopercebo mesmo é porque não seguem os exemplos de vencimento de crises como ocorreram noutros países ou cidades-estado como Singapura. ???????????????????

  8. Pingback: Um bom sinal | O Insurgente

  9. Isabel diz:

    Não percebo como é que existem pessoas que continuem a escrever que não existe alternativa…Não percebo como na crise em que nos encontramos a EDP, a GALP e outros onhecidos de todos……apresentam lucros, lucros, lucros , ano após anos em crise. Há! existem reformados no Norte do Pais que vão para a cama ás 19 horas( em pleno inverno), pois não podem pagar a energia que necessitam para se aquecerem….mas são estes que têm que pagar a crise, não os boys do PSD….

  10. António Pina diz:

    Ainda bem que lá se foi a última esperança porque efetivamente eu penso que quem acredita que será possível sairmos deste buraco por opção do governo deve tirar mesmo daí todas as esperanças.
    Só se sai disto trabalhando, sofrendo a austeridade e pagando as contas. Podem chamar nomes a mim, ao governo e aos outros, bons ou maus, que seguirem a este governo.
    No fim, têm que seguir em frente com a austeridade porque simplesmente não há dinheiro, há é dívidas…
    Recordo uma frase do Churchill: ” Se estás a passar pelo Inferno… continua a caminhar!”

  11. Manojas diz:

    Maduro, pelos vistos, é, politicamente, uma fraude, mas já começa a ter a fama de inteligente, ou seja, vai entrar para o clube daqueles que os comentadores de direita e também de esquerda tanto gostam de apelidar de inteligentíssimos: o Marcelo, o Portas, o Gaspar, os mais destacados. Mas quem lhes teria medido a inteligência? E o que fizeram assim tão inteligente que mereça tanta admiração? Os estúpidos, claro, somos todos nós, os outros.

  12. Mais um “troca tintas” que se juntou aos restantes.

  13. Esperar? De um novo ministro? Mas Esperar o quê? Será que um novo ministro é sinónimo de uma politica nova? Esse será sempre o problema de quem espera coisas diferentes de gente em que apenas muda o nome e/ou a sobranceria.

  14. António José Mendes Dias Trancoso diz:

    O Maduro, super-inteligente, finanCEIa o seu currículo, com a assumpção do cargo ministerial…

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