Ou é estratégia política e comunicativa ou então há um problema na relação entre a mente e a linguagem nos membros do governo quando falam sobre um mesmo assunto.
Esse problema consiste em dizer sem dizer; ou não dizer, dizendo; sendo que qualquer que seja a interpretação do que foi dito estará sempre certa ou errada conforme os interesses de quem fala e de quem ouve. Pode ser estratégia ou patologia.
Leiam-se as declarações de três ministros sobre a chamada “TSU dos pensionistas”:
Passos Coelho disse que está agora nas mãos do CDS/PP apresentar alternativas com o mesmo impacto orçamental. (…) O PM assumiu perante nós que essas medidas não serão aplicadas” (líder da UGT, citando Passos Coelho)
“O Governo escolheu um conjunto de medidas, um leque alargado
de medidas para, por um lado, garantir à ‘troika’ que essas medidas
são suficientes para cumprir os nossos compromissos internacionais” (Poiares Maduro, Diário Económico, 7 de Maio, 2013)
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Estarão a dizer o mesmo, como quer o ministro Poiares Maduro? É claro que não estão. Haver “margem de manobra” para não aplicar a TSU porque “o governo escolheu um leque alargado“, como disse Poiares Maduro ao Diário Económico, não é o mesmo que dizer, como disse Passos Coelho à UGT, que “é preciso encontrar alternativas com o mesmo impacto orçamental”. Como não é o mesmo que dizer, como fez Portas, que “essa é a fronteira que não pode deixar passar”.
Conviria que os senhores ministros tivessem cuidado com o uso da língua e da linguagem para não baralharem ainda mais os portugueses.

A situação italiana é um pouco diferente: um membro dele diz algo e os outros charlam sobre as suas declarações para unos días. Depois todos esquecem-se do que aconteceu e preparam-se para uma outra declaração choque.